quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Hora da merenda

  Merenda é uma palavra tão linda! Até parece nome de gente: "eram duas filhas e um filho: Miranda , Merenda  E Merengue. " Lindas palavras.
  Então, o marido que é o exemplo vivo da falta de lógica e regras dos preceitos médicos, come de tudo e quer mais , não faz nenhum movimento que não seja extremamente necessário e  gabarita nos exames de saúde enquanto eu fico lá  me enchendo de linhaça  e aveia desde os 35 anos  (eu era verdadeiramente muito magra), o marido  comprou salsichas. E vamos combinar que um macarrão com salsicha tem o seu lugar na vida.
  O marido, quando menino, adorava quando havia macarrão com salsicha na merenda escolar. Ficava para almoçar e diz que era o melhor  macarrão com salsicha da vida!
  Devia ser.  Não tive tanta sorte nos sabores de merenda. Levava uma terrível merendeira de couro que ficava impregnada com os odores . A garrafa térmica tinha um terrível vidro dentro, não era como as de hoje, e sempre quebrava, um inferno. E o perigo de se engolir um caco de vidro era semelhante a comer carne na sexta feira santa.
  Assim, eu acabava levando o seguinte:  gelo (pegava uma garrafinha de plástico, que já existia, enchia de água e deixava no congelador durante a noite) ou suco de tangerina. Cenoura com sal ou pão com manteiga e sal.  Não era lá muito atraente, mas eu gostava.

  Muita gente não comia durante o recreio, ah! Tanto o que brincar! Não dava tempo. Então, no ônibus, abríamos as lancheiras e trocávamos. Foi assim que aprendi que torrada com manteiga e mel é uma das boas coisas da vida!

  Charlie Brown leva constantemente pão com geleia e pasta de amendoim em um saco de papel. Nunca entendi esse sanduíche americano, e não tive coragem de provar a combinação.  Muita gente levava a coisa pro colégio lá em cima. Eu levava dinheiro e ia para "cafeteria", o nosso bandejão. Lá os americanos serviam-se de leite, sempre. Achava estranho beber leite na refeição. E o tal do "chili"? Uma carne moída com um molho picante industrial ou na cumbuca ou no pão. Não era meu forte. Mas, engordei assim mesmo.

O sensível livro Indez onde Bartolomeu Campos Queirós recorda infancia, traz um verso popular que eu desconhecia:
  Tudo serve de desculpa
Para Lelé não ir à escola
Ontem foi a dor de dente
Hoje perdeu a sacola
Outro dia a tal merenda
Que não foi bem preparada
Em vez de doce de leite
Mamãe lhe deu goiabada

 Goiabada é bom, Lelé!
Não foi fácil preparar merenda de filhos. Algo que não estragasse, que eles gostassem.. Mas já pegaram a era da industrialização, então todynhos e cereais coloridos e biscoitos goiabinhas, e o deliciosérrimo sumido lanche Mirabel de chocolate. Que coisa boa! Torradinho, perfeito!

No meu tempo não era assim. Vendia-se cachorro quente e batata frita na escola. Aquelas redondas e engorduradas. E picolé da kibon.
Mas ninguém queria enfrentar fila para comprar nada e raro era o pai que dava dinheiro. Ah! Mas a gente sonhava com aquele lanche industrializado!

Um livro que recomendo MUITO para quem tem criança é  A Mina de Ouro, editora Ática, escrito pela Sra Leandro Dupré.  É bárbaro. Um livro de aventura que agrada a meninos  e meninas. Eu li o meu antiguinho para os filhos e eles se lembram da história até hoje! Um grupo de crianças se perde no morro do Jaraguá e dentro do morro encontram uma mina de ouro.  Quando a fome chega, um pedacinho de salsicha é dividido entre todos.
Enquanto não saem de lá o grande desafio é o que comer, e os meninos encontram uma laranjeira dentro do morro,um lago com peixes...a h.. Só lendo!
O meu macarrão com salsicha  é simples. Nada demais mas funciona. A arte está no al dente, o ponto certo. Eu jogo na água para parar o cozimento depois retorno-o a panela com margarina ou manteiga. Aí, a salsicha partidinha com o molho de tomate... E queijo ralado pra quem quiser! Comam à vontade! Vou ficar olhando. 
( a foto da merendeira peguei neste fotolog  pelo google)


2 comentários:

Silvia- BH disse...

Comprei os vários livros dela em edição antiga, capa dura, livrão, com letra grande etodo ilustrado.

A Ilha Perdida
O Cachorrinho Samba
O Cachorrinho Samba na Fazenda
O Cachorrinho Samba na Floresta
A Mina de Ouro
A Montanha Encantada

Só não gosto do nome dela - porque não colocar o primeiro nome? mesmo que seja Odete - Odette de Barros Mott - a que delicia de biografia! Desta outra grande autora não conheço os livros infantis mas ambas são ótimas!

angela disse...

Silvia, já imaginou como é chique ter sobrenome francês? Ah.. não dá pra resistir! Assim ela mostrava que era casada e chique.
Também li Vera Lucia Pingo e Pipoca . Estou com vontade de comprar todos de novo.