segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Para não dizer que não falei de flores

Certamente os dois livros que mais me comoveram em relação ao romance culinário, se é que essa categoria existe, foram Como Água para Chocolate e Festa de Babette. Claro que estou tirando onda já que conheci ambos primeiramente no cinema. Assisti aos prantos Como água para chocolate! Sabe aquela hora em que o cobertor não acaba? Pois é. Corri para comprar o livro, li em voz alta gravando para o Clube da Boa Leitura ( biblioteca para cegos) aos prantos também. Que amor louco Tita nutria por Pedro! E Pedro, vamos combinar, era um boboca. Tita , ao contrário, especialíssima! E que mãe horrorosa! Mas não estranhei, pois na vida real conheci uma mãe que não permitiu que sua filha se casasse. Juro, cruz na mão. A moça foi noiva quatro vezes! Mas a mãe botava tanto piche que mulher acabou solteirona, chata, doente e infeliz. 

Mas, deixa isso pra lá e vamos à beleza! Em uma de suas refeições, Tita prepara codornas com pétalas de rosas. Pedro lhe presenteara com rosas brancas, e Tita as aperta tanto contra o peito que o fere e seu sangue tinge as pétalas que rapidamente ficam vermelhas.  Este prato, codornas com pétalas de rosa, impregnado com o sangue amoroso de Tita leva Gertrudes, sua irmã, a ser o elemento de ligação entre Tita e Pedro e a sentir tal ardor, tal desejo sexual, que sente o corpo ferver de paixão e gozo. Tenta tomar um banho, mas a água antes de tocar seu corpo evapora! A casa de banho pega fogo com seu calor e o odor das rosas chega a muito longe, chega aos sentidos de um soldado de nome Juan. Este segue o cheiro, pega Gertrudes nua , a coloca em seu cavalo e seguem fazendo amor. 

Já no belíssimo conto Festa de Babette, de Isak Dinesen, o prato Cailles en sarcophage  também inebria os convivas, principalmente um soldado graduado que já o tinha experimentado em um caríssimo restaurante parisiense.

Pela capa dos dois livros dá para notar a rigidez, o frio de Babette com sua negra e comprida roupa  e os traços latinos de uma sensual Tita. Babette está meio curva carregando uma cesta para alimentar os pobres. Tita coloca a mão na massa e olha para o leitor. Ambas as mulheres são frustradas em seus  amores, ambas cozinham muito bem, ambas transformam as vidas de quem come suas comidas inaugurando sensações.  Dois belíssimos e deliciosos filmes e livros. 

Eu, aqui pro meu lado, já comi codornas, faz tempo. Também já as tive quando morando em Belo Horizonte. Elas me presenteavam diariamente com seu belo ovo, semelhante aos ovinhos de tico-tico que a “princesa” Sandy comeu . 



  Ovos de codorna são lindos e deliciosos! É como a gente brincasse de bonecas ou estivesse em Liliput. Então, para receber nora e filho preparei uma salada com flores e ovos de codorna. As pétalas de rosa também entraram dando cor ao prato e , talvez, perfume. Como molho, preparei kefir com geleia de menta e mostarda, uma delícia.  E ficou lindo! As pétalas de rosa não são lá saborosas, mas o molho as torna e a gente tira uma onda. Por favor, se alguém souber fazer geleia de pétalas de rosa ou outra coisa, sou toda olhos! Aceito de bom grado!
Ah! O que aconteceu com as codornas? Eu morava na região da Pampulha, e por lá havia uns gatos selvagens. Um deles conseguiu comer as codornas.
                       FIM!

5 comentários:

Laura disse...

E que salada... estava maravilhosa!!!
Estava tão gostosa que comi tanto dela que quase não deu para comer mais nada rsrsrsrsrs
Foi memorável! Ficou melhor que a geléia da sua amiga. Sério.
Beijos!

Heraldo Reis disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Heraldo Reis disse...

Acho uma covardia, falar de " Festa de babete " e " Como água para chocolate " ... Agora, entendi porque um blog separado dos outros dois ...

Heraldo Reis disse...

Rosas, sempre me despertaram uma dúvida: Se eram tão belas e cheirosas, quanto gostosas ...

angela disse...

Heraldo a pétala tem gosto de pétala mesmo. Há licor, água de rosas pra doces e geleia.
Já o capuchinho é uma delícia! Picante, doce e lindo!