sábado, 25 de dezembro de 2010

Pecado Capital

Por volta de 1886 o Papa Gregório , juntamente com outros teólogos organizaram os tais pecados capitais, ou pecados da carne, os quais, segundo a Igreja Católica, não são pecados em si porém dão origem a atos pecaminosos gravíssimos!

Um dos pecados  é a  gula.. A coisa é grave. Nós brasileiros não existiríamos, já imaginaram? se não fosse a tal da gula.  As conquistas marítimas no séc  XVI tinham como meta encontrarem o caminho das especiarias.. Linda palavra. *Creio que todos nós aprendemos essa palavra na aula de história.
(Fiz parte da premiada coleção Eles São Sete, da Ediouro, onde cada autor criou uma história para cada pecado capital. É por isso que sei o nome do Papa Gregório, Lia Neiva me ensinou.)

Conquistas de terras, guerras, evangelização, tudo por causa de cravo, canela, pimenta.. Claro que os temperos também conservam os alimentos, também daí sua importância. Mas ah! O prazer!

Um dos bichos mais cobiçados e temidos é o pobre do porco. Em Uma casa na Floresta, Laura Ingalls conta como se matava um porco, como tampava os ouvidos para não saber de seus guinchos, mas, passada a matança, brincava sem culpa de jogar sua bexiga , assar o rabinho do porco ouvindo o estalar da gordura. Minha mãe também tinha essa terrível recordação da fazenda, da época da matança dos porcos.  Coisa que por aqui onde moro ainda ocorre. E o leitão é assado em grande festa, como presente na aldeia descrita no livro  Receitas de amor, de Anthony Capella, um romance, nada de literatura, daqueles que podem virar um divertido filme.  Deverei a falar sobre ele pois aqui as comidas estão sempre voltadas ao desejo sexual e/ou amoroso. Leio em tradução de Portugal o que acrescenta um charme inesperado. Ah, sim, na aldeia italiana, o chef Bruno vê um belo porco de três patas assado recheado de pão e ervas!

 A Biblia tem suas recomendações. O velho testamento condena como imundo o bicho de casco rachado, assim como os porcos e camelos,  várias outros senões. O filho  pródigo não conseguiu se alimentar nem com as bolotas que os porcos comiam, daí voltar para casa.  

Bacon, presunto, toucinho, tender de Natal. Ah! Viva a Sadia que nos deu esse belo presente, o tender sem osso! E essa tríade da foto deve justificar invasões, guerras, briga em família, crimes, se não houver para todos. O odor que espalham pela casa nos transforma a todos em João Ratão, em personagens voadores de desenhos animados.. O que colocam no panetone Bauduco , meu deus, para cheirar tão bem? E o queijo de cabra? OO coisa boa!  Então, a todos, comidas gostosas e...
FELIZ NATAL!! 

*Uma historinha real: minha mana era professora de supletivo, e, de sua turma, contratou uma jovem como doméstica, jovem que acabou fazendo parte da nossa família com seus cuidados e alegria. Bem, mas um dia ela pergunta: Professora,-pois é assim que a chama até hoje-  o que quer dizer "especiarias"? Mana explicou por alto, "temperos"  e a moça: Ah.. Então não serve.. 

Pois é, ela escrevia uma carta para a família no nordeste e queria mostrar como já sabia escrever bem usando belas palavras.  Gostava de palavras bonitas, e especiarias é , certamente, uma palavra linda!  (minha mana , por exemplo, nunca estava no quarto, e sim " em seus aposentos" ou na "sua alcova". Uma figura!

Um comentário:

Neuza disse...

Feliz Natal, Ângela. Já há alguns anos recebo seus posts do Multiply via meu email e adoro quando vc conta sobre o Rio da sua infância, seus quitutes, a vida rural. Sou dessas paulistanas que gosta de relembrar o Rio do Tom Jobim, da Mata Atlântica, das enseadas escondidas. Sua prosa, sem querer, me traz tudo isso. Grande beijo e feliz Ano-Novo.