sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Tempero e te espero

Coisa boa é filho! E ele vem amanhã com  a nora!! Ueba! E a manhã  aqui em  casa foi de ervas e aromas para seu paladar!
O mais velho avisa: nunca diga para a mamãe que você gosta de alguma coisa, senão, sempre que você surgir ela vai preparar essa alguma coisa pra você!
Além do mais, pra mim, ele não tem 1,90, ele é assim, pequeno precisando de cuidados! De comida na boca.  Pelo menos nos meus sonhos ele é assim.
O marido fala que nunca conheceu ninguém mais mãe que eu, que sou mãe de filho, marido , enteado, cachorro e até de  peixe! Deixei que  ele acreditasse  nessa pequena lista, pois já me peguei  chamando tomate de fiilho....

E os filhos são carnívoros. O marido aproveita e vai em um açougue de confiança e enche a casa de carne, coisa que tenho de preparar e congelar com rapidez. 

Não como carne há tempos, só um pouco de  carne assada depois que descobri que tem menos colesterol do que peito de frango. Carne nunca foi meu forte, desde criança, tanto que  confundia bife a milanesa ( como o cara do  divertido  comercial activia ) com peixinho.  Criada em colégio de freiras, as coisas eram confusas. De um lado, não se podia comer carne na Sexta -feira Santa  de outro, o auge da Missa é a comunhão, um canibalismo heróico , profundo, sagrado. 

Que Leonardo Da Vinci e outros vegetarianos me perdoem, mas comer carne faz parte da nossa espécie. Nossos dentes caninos o demonstram, e a natureza  tem essa mania de só poder viver se outro morrer, seja bicho ou planta.
A carne desperta tantos desejos! Meus maravilhosos e amigos cães reviram os olhos, babam, obedecem-me com custo quando lhes dou um pedaço de carne.  O excelente, maravilhoso, divertido, inteligente filme A Marvada Carne apresenta esse nosso lado com maestria. Todas as virtudes se acabam tendo em vista a possibilidade de se matar um boi.  Ótimo de verdade! Fernandinha Torres está fabulosa na personalidade da moça emburrada que quer casar e olha que não gosto muito de suas atuações, pois, como diz a minha amiga magra "sempre acho que a Fernandinha vai me dar uma bronca". Mas em Marvada Carne e  também em Casa de Areia ela está estupenda! São dois filmes que a gente deve deixar por perto e assistir de vez em quando. 

Nas chega de papo pois o filho vem aí!
E tratemos de arrumar os temperos e preparar  as possibilidades, que são muitas e não quero perder tempo na cozinha enquanto estiverem aqui.  Deixar tudo de jeito para poder lamber a cria todos os segundos.
Na horta, colho todos, frescos e felizes. Salsinha, cebolinha, aipo, esse capim que tem gosto de alho e não sei o nome, e outros que não vou usar mas que quero à mão pelo prazer da coisa.  Volto carregada! Vi chuchu pedindo pra sair, abobrinha , brócolis , tomatinho e a deliciosa Ora pro Nobis cuja muda foi presente de Neide do  Come-se.


A  peça de lagarto já está limpa, furo-a ao som do banho de Psicose e esfrego sal grosso. Já na bacia, vinagre, alho, temperos diversos e geladeira, pois vai ficar assim pegando o gosto até amanhã!
Antes, já tinha picotado tudo pra carne moída, que linda! Vermelha com esses pontos verdes. Nela, acrescento o tempero pronto de provence, comprado na ida a São Paulo.   E tento tirar da minha idéia que pode ser o Maromba,(  não Angela, o Maromba foi para a casa de alguém que o queria como reprodutor, não iriam matar o Maromba...)
Nos meus textos infantis, não preciso começar com a frase " no tempo em que bichos falavam" pois eles falam, só que é na língua deles. Maromba, por exemplo, que foi criado aqui mesmo na mamadeira, abaixava a cabeça para eu fazer cafuné e vinha pra perto assim que o marido pegava o violão e começava a cantar. 
Ele era como o Touro Ferdinando, lindo e sensível. E bom reprodutor!
 Nos deu a belezura de Marrom e acolhia com satisfação o carinho de Neve, a bezerrinha mais fraca rejeitada pela mãe  mas esperta como ela só!  Comer carne fica difíiiiicil....

3 comentários:

Chris L. disse...

Eu não como, mas sirvo aos filhotes uma vez por semana para desencargo de consciencia. Eles vão a churrascos quando convidados mas não se esbaldam, são carnívoros light, preferindo peixes e aves.
Parei com carnes vermelhas aos 16 anos por pura rebeldia/modismo ( era in ir ao restaurante macrô perto do colégio) e depois de provocar uma reação exagerada em casa ("você vai morrer!!!! vamos fazer um hemograma para avaliar!!!!") acostumei e assim estou até hoje. Adoro bichos e sei que deveria poupar aves e peixes também, mas isso fica para outra encadernação.

Neide Rigo disse...

Angela, o capim com cheiro de alho não seria nirá?
Que bom saber da ora-pro-nobis. E de todo o mais. bjs,n

angela disse...

Neide, se você diz que é Nirá, Nirá o será! Quem me trouxe achava que era alho porro, vejá só. Aí eu disse a ele que não era, mas tempera bem!