segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Vou contar pro seu pai que você namora


Já acordei pronta para amorar... pois é, já falei das amoras , e como há tantas congeladas, e Natal chega, e filho vem sábado com a nora que é fã da minha geleia, pronto: às geleias!

Raquel diz que geleia dar dor de cabeça pra ela. Para mim, pelo menos isso não dá. Sim, pois tenho dor de cabeça se pensar na expressão dor de cabeça, e ela vira enxaqueca muito mais rápido do que amoras em geleia. E fervo os potinhos, e como sou adepta do mexer em time que está ganhando, tento o liquidificador antes de fervê-las. Pois é, a Marilda veio aqui só pra me trazer um vidrinho de deliciosa geleia de framboesa e explicou:
- Pois é, Dona Angela
- Não me chama de dona..
- Então, a senhora pega,,
- Não precisa me chamar de senhora, somos amigas!
- e cuidado, pois framboesa tem espinho que é uma coisa! E bate tudo no liquidificador.. e bota na panela  com um tanto assim de açúcar e mexe e quando em vez vê se está no ponto.
Nada entendo de pontos. Nem de medidas. Sou que nem Deus na criação: faço e vejo se está bom. Erro como Ele errou também.  E tem a tal da pectina..
- Não coloco nada não, explica Marilda.
Mas eu uso maçãs ou laranjas, o que estiver nas árvores. Agora são maçãs. Lindas.
Marilda me explica então que pega um pires e traça assim, se juntar não tá bom, então faz até separar e pinga assim, se demorar um tanto, tá no ponto...
Nunca vi ninguém fazer geleia, é sempre de olho, mas se não é geleia o que faço é algo parecido  e com adeptos. O ar se enche do aroma de amoras enquanto sorvo o café coado no pano  recém feito. E com biscoito piraquê mesmo, pois acabaram-se os outros.. pode deixar norinha, até sábado teremos biscoitos de especiarias! E volto a folhear o excelente livro Vinho de Amoras. A autora é Joanne Harris. Ela surgiu com o tal Chocolate, que virou filme com o  pernóstico gato que se acha Johnny Depp num personagem cujo romance não pertence ao livro. Não dei fé, mas, como mania é mania comecei a ler.. pronto, gamei! E vinho de amoras é bárbaro! Um livro pra homem ler também. O narrador é um intragável vinho de amoras. O personagem, um escritor inglês. O cenário, a mesma cidade francesa de Chocolate. E passado se mistura com o presente no velho fantasma enigmático que planta tomates, o presente vai se formando aos poucos entre vinhos, chocolates, cafés e um bolo cuja descrição (maçãs carameladas em massa de amêndoas) me fez babar. No final “um perfume estranho de açúcar e maçãs e geleia de  amora preta e fumaça” Exatamente o que estou sentindo agora, sendo que , no meu caso , acrescento o penetrante cheiro de tinta azul do quarto novo , da grama roçada do vizinho e das sobras de abóbora de ontem..(viraram pãezinhos, não era essa a ideia, mas foi o que aconteceu)

P.S. O título do post é um ditado popular que também foi musicado pelo Renato Teixeira. Mas , em matéria de Renato Teixeira, recomendo isso!

2 comentários:

Chris L. disse...

Eu reconheço que a pessoa sabe cozinhar de verdade se ela usa esse método "a olho" e tudo fica delicioso. Eu sou apenas uma seguidora de receitas, mesmo assim muitas vezes dá xabú.

Laura disse...

Oba!!! Geléia de amora!!! Estarei aí no sábado para experimentar!
Beijão!