quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Lazanha congelada ou não

Minha lazanha faz sucesso. Sério. Então já vou deixar todos os vinte e tres seguidores babando de cara, sem suspense. Nada de babar no teclado!! Humpf.
Pois é, e grande lance é que pode se fazer a lazanha e CONGELAR!! e pronto, ela vai estar lá, na quentinha, em porções individuais, esperando por você!
É assim que se faz:
Um panelão com uma colher de sopa de sal , 5 l de água. Ferve. De vez em quando, saia da frente do computador pra ver se já ferveu!!! Quando estiver borbulhando, vá colocando aos poucos a massa, mantendo a borbulha. Agora, coloque o despertador, o timer, o telefone celular pra tocar em dez minutos e volte para o computador. Trim! tocou. CUIDADO! derrubar um panelão de 5 l. água fervendo no escorredor é tarefa que necessita atenção! Escorra.
Agora pode voltar pro computador. Não tenha pressa , senão queima a mão.
Pegue a forma, unte com papel de fritura e margarina pra não ter que limpar nada, e divirta-se colocando uma camada de massa, uma fatia de queijo, uma de presunto, uma de pomarola. Deixe a última ser de queijo, senão a massa pode torrar por cima e virar biscoito duro.
Agora o tchan: meio copo de leite em cima de tudo, deixe penetrar nos cantos. Espere um pouco antes de colocar no forno.Coloque no forno e volte a vigiar. Quando começar a cheirar, veja se está borbulhando. Aí manda ver!

Garfield iria amar. Aliás, procurando foto do gato com lazanha, descobri que existe uma lazanha pronta com o nome dele. Será que é boa?

Sou bisneta de italiano, (essa era a propaganda da loja do meu bisavô) parece coisa longe mas não é, pois minha avó mantinha a tradição italiana nas refeições. Almoço de domingo, na infância, era gostosura certa! Pão na mesa para sugar o molho, e meu pai , com o  miolo do pão, esculpia perfeitos patinhos, rosas e outros mimos para mim. E a lazanha.. uau! que maravilha! A principío, massa e molho eram feitos em casa. E era a melhor do mundo. Já mais velha, usava molho pronto, eu vi. E continuava delicioso. O queijo ralado por cima, e eu , como a menor da família, tinha o direito de comer o restinho do queijo que sobrava entre os dedos da cozinheira Tereza!
Não é todo mundo que sabe fazer lazanha. Algumas tem molho demais, outras são massudas, enjoativas. A minha é boa de verdade. Uma fatia fina de queijo, uma fatia fina de presunto, uma fatia fina , al dente, de lazanha. é assim que se arruma. 
O filme Querido Jonh, que é um tanto chato, apesar da beleza dos protagonistas, da atuação do pai do rapaz, da idéia interessante do filme, mostra que o autismo do pai do rapaz levava-o a fazer lazanha no dia certo da semana. É uma refeição simbólica, repetitiva. Talvez seja congelada, não sei. Comprar uma lazanha industrial congelada pode ser uma boa saída, mas recomendo fazer desse jeitinho, já nas quentinhas, depois congelar. Descongelar no forno ou no forninho elétrico, direto e bom apetite!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sopa de letrinha

Este teria sido o nome deste blog caso um amigo nosso há anos não promovesse em São Paulo um evento maravilhoso com tal título. Imaginem, ele faz um encontro entre poetas e declamantes, poemas são pendurados pelas paredes e, ao final, uma soberba sopa é servida.
Se eu morasse lá, certamente frequentaria!
Já frequentei um lugar assim, mas era com pizza, chamava-se Versos Noturnos, lá no Catete (Rio) muito gostoso. Democrático. Gente de todos os sexos e idades em prol da poesia, sua e alheia. Lembro-me particularmente de uma velha senhora negra magrinha, parecia saída de uma ilustração de Debret, com seus cabelos brancos, óculos, munida de uma antologia poética ia ao microfone e nos presenteava com os grandes mestres. Por prazer. Ganhei um prêmio até com o poema Terra. Bem legal.
Pronto, já estou dispersa!
Há quem odeie sopa como a personagem Mafalda.
Há quem goste. Há quem dela precise. E esse é o grande barato da sopa, pois serve aos bebês, aos doentes, aos desdentados. Fácil de ser feita.. Ah? É verão? Calor? Desculpe, moro no alto das montanhas , mil e trezentos metros acima do nível do mar! Mesmo no calor, à noite, a sopa pode ser bem-vinda (tiraram o hifen? Ajuda!) Mas sei que há ótimas sopas frias! Esta, por exemplo, linda, fiz quente, mas cairá bem se fria.
A sopa tem disso, serve para tudo! A literatura é cheia dela! No meu relidíssimo exemplar de A Casa do Anjo da Guarda, logo no início, após terem comido um naco de pão duro tirado do alforje do soldado, os meninos se regalam com um esperado prato de sopa, queijo e rabanetes.
Já Oliver Twist,em sua crucial fome, tem seu destino maldosamente perfurado por ter ousado no cruel orfanato inglês a pedir para repetir o ralo prato de sopa cozinhado com água e cereal, (a cebola entraria duas vezes por semana). Mais tarde, doente, assim que recupera um pouco sua força, é um forte prato de sopa que ajuda sua saúde.
Os exemplos são inúmeros!
Gosto de sopa, e, mais do que isso, ela gosta de mim. Ela me dá vitaminas e me emagrece, É um jeito de não engordar demais tomar apenas um prato de sopa como jantar.  E a minha é linda, feita de frescos legumes tirados no dia, da minha horta. Raramente acrescento batatas. Mas, para que fique realmente gostosa, sem acidez, é importante que haja ou batata, ou inhame, ou couve-flor , ou os três. No mais, cenoura, imprescidível. Um pedado de peito de frango (ou músculo, por aqui é difícil encontrar músculo para comprar, não entendo bem porquê)  Se não gostar em pedaços, bata tudo no liquidificador. Por cima, um queijo ralado ..hum.. Ainda, uns pãezinhos  torrados, que hoje se chama chiquemente de crouton, mas pode ser feito no forno de microondas, passa manteiga ou margarina em fatias de pão de forma, pode ser dormido, e corte em cubinhos. Salpique queijo parmesão. Coloque no forno de microondas por um minuto, revire, se ne necessário, mais um pouco e.. Queimou!  Tem importância não, cate os carvõezinhos e coma o resto em cima do creme de legumes!
P.S. Hoje recebi um mail de uma fã mirim que escreve histórias. E essa é sobre comida!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Cesta de queijo

19:32
Meu avô, que não conheci, dizia que até sola de sapato fica gostosa com queijo ralado. É possível. Lembro-me na adolescência, morta de fome, pais em viagem, sem grana , casa vazia, a única coisa possível de virar alimento era farinha de mandioca. Queime. Tasquei queijo parmesão ralado e resolvi a questão.
Moro na cidade do queijo parmesão, e gosto muito da marca Itamonte.
Já fiz queijo, mas de Minas, na época em que tinha vaca. E ricota e Alouette. E fiquei pensando se eu já tinha visto ou lido qualquer alguma coisa cujo ator principal fosse o queijo. Não lembrei.
Lembrei de um filme onde o galã vendia queijo na feira. Em Uma casa na floresta a mãe faz queijo e isso é mostrado com riqueza de detalhes, mas não lembro de Laura comendo queijo sem ser o queijo verde. Sim, o camundongo Jerry é chegado a um queijo.. e, no livro que  mencionei, Receita de Amor, fala-se muito sobre queijo de ovelha, coisa que não me lembro de ter provado e agora quero.
E queijo vai bem com qualquer coisa, não é? E a filha da Marilda veio almoçar e não gosta de salada.. Mas, insisti. Como? Fazendo uma cestinha de queijo ralado! Pronto! Chique, lindo, saboroso, fácil, um charme!
Panela tefal na mão, um punhado de queijo parmesão ralado grosso. Frigideira quente. Ele vai derretendo.. Grudando.. A gordura se desprende.. E pimba! Vira de lado! Com cuidado pra não dobrar. Cora o outro lado.
Aí, coloque em uma cumbuca e modele a cestinha, e faça outra e outra.. Pronto! Salada dentro e sucesso garantido! Bom demais da conta, sô!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Pecado Capital

Por volta de 1886 o Papa Gregório , juntamente com outros teólogos organizaram os tais pecados capitais, ou pecados da carne, os quais, segundo a Igreja Católica, não são pecados em si porém dão origem a atos pecaminosos gravíssimos!

Um dos pecados  é a  gula.. A coisa é grave. Nós brasileiros não existiríamos, já imaginaram? se não fosse a tal da gula.  As conquistas marítimas no séc  XVI tinham como meta encontrarem o caminho das especiarias.. Linda palavra. *Creio que todos nós aprendemos essa palavra na aula de história.
(Fiz parte da premiada coleção Eles São Sete, da Ediouro, onde cada autor criou uma história para cada pecado capital. É por isso que sei o nome do Papa Gregório, Lia Neiva me ensinou.)

Conquistas de terras, guerras, evangelização, tudo por causa de cravo, canela, pimenta.. Claro que os temperos também conservam os alimentos, também daí sua importância. Mas ah! O prazer!

Um dos bichos mais cobiçados e temidos é o pobre do porco. Em Uma casa na Floresta, Laura Ingalls conta como se matava um porco, como tampava os ouvidos para não saber de seus guinchos, mas, passada a matança, brincava sem culpa de jogar sua bexiga , assar o rabinho do porco ouvindo o estalar da gordura. Minha mãe também tinha essa terrível recordação da fazenda, da época da matança dos porcos.  Coisa que por aqui onde moro ainda ocorre. E o leitão é assado em grande festa, como presente na aldeia descrita no livro  Receitas de amor, de Anthony Capella, um romance, nada de literatura, daqueles que podem virar um divertido filme.  Deverei a falar sobre ele pois aqui as comidas estão sempre voltadas ao desejo sexual e/ou amoroso. Leio em tradução de Portugal o que acrescenta um charme inesperado. Ah, sim, na aldeia italiana, o chef Bruno vê um belo porco de três patas assado recheado de pão e ervas!

 A Biblia tem suas recomendações. O velho testamento condena como imundo o bicho de casco rachado, assim como os porcos e camelos,  várias outros senões. O filho  pródigo não conseguiu se alimentar nem com as bolotas que os porcos comiam, daí voltar para casa.  

Bacon, presunto, toucinho, tender de Natal. Ah! Viva a Sadia que nos deu esse belo presente, o tender sem osso! E essa tríade da foto deve justificar invasões, guerras, briga em família, crimes, se não houver para todos. O odor que espalham pela casa nos transforma a todos em João Ratão, em personagens voadores de desenhos animados.. O que colocam no panetone Bauduco , meu deus, para cheirar tão bem? E o queijo de cabra? OO coisa boa!  Então, a todos, comidas gostosas e...
FELIZ NATAL!! 

*Uma historinha real: minha mana era professora de supletivo, e, de sua turma, contratou uma jovem como doméstica, jovem que acabou fazendo parte da nossa família com seus cuidados e alegria. Bem, mas um dia ela pergunta: Professora,-pois é assim que a chama até hoje-  o que quer dizer "especiarias"? Mana explicou por alto, "temperos"  e a moça: Ah.. Então não serve.. 

Pois é, ela escrevia uma carta para a família no nordeste e queria mostrar como já sabia escrever bem usando belas palavras.  Gostava de palavras bonitas, e especiarias é , certamente, uma palavra linda!  (minha mana , por exemplo, nunca estava no quarto, e sim " em seus aposentos" ou na "sua alcova". Uma figura!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pão de Minuto

Quando não tínhamos pão em casa, minha mãe mandava fazer "pão de minuto". As aspas são para o marido, pois ele  diz  que pão de minuto é outra coisa, é um que a vizinha de infância fazia, não era esse. Imagino,então, que haja dezenas  diferentes receitas com o mesmo nome.
Este era o pão de minuto da minha casa cuja receita herdei e fiz para os filhos pequenos. Delícia quentinha que não se parece com pão nem com biscoito, fácil realmente de fazer, uma mão na roda. Delícia com manteiga ou queijo. Ou puro. Mas, em geral, dobro a quantidade, a que segue dá apenas para 10 pãezinhos. Ótimo café da manhã!
7 colheres de sopa de farinha de trigo
1 ovo
1colher de sopa de açúcar
1 colher de sopa de queijo  parmesão ralado
1 colher de sopa de fermento royal  pó ou  marca semelhante
1 pitada de sal
1 colher de sopa de manteiga ou margarina
1 xicara de cafezinho de leite (cafezinho mesmo)

Aí é misturar tudo, na mão ou na batedeira. Untar e/ou enfarinhar uma assadeira e o lance é usar uma xicrinha de cafezinho enfarinhada para fazer as bolinhas pois a massa é grudenta.

A autora que , certamente, me encaminhou para a culinária- embora eu tenha sido uma criança enjoadíssima para comer- foi Laura Ingalls Wider . Vou falar muito dela aqui, mas, pra quem tem curiosidade, pode ir se adiantando e saber dela neste site que mantenho juntamente com um grupo de "lauretes". 
Em O Longo Inverno Laura e sua família passam literalmente o pão que o diabo amassou de fome. Foi um inverno histórico nos EUA, vários livros registram o fato. E foi fato que a família Ingalls ficou isolada em De Smet, assim como outros tantos pioneiros. Para aplacar a fome, pegaram os grãos do trigo que deveriam ser usados na próxima  plantação e os moeram em um moedor de café, trabalho duro, e aí misturavam com  neve derretida. Segundo a autora, o pão escuro feito do trigo , sem manteiga, sem leite , sem ovos, era muito bom. Havia um certo gosto de nozes...
Grande parte do livro fala de trigo. 
Nessa ilustração, o pai encontra trigo escondido em uma parede falsa na casa de um rapaz que, mais tarde, seria seu genro. O mesmo rapaz salva a cidade da fome indo com um colega no meio de uma terrível neve encontrar trigo . Fatos reais.
Pão é símbolo máximo de alimento. Cristo é pão na Missa. A canção pede " ah, seu doutor, tem compaixão, dê ao pobre um pedaço de pão"
(não encontrei na internet essa letra. Mas ela é viva na memória! Mas, já que não encontrei, ouçam essa maravilha feita pelo marido)

E, pra quem lembra, quando eu era criança, o garoto bonito da turma era um pão!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Hora da merenda

  Merenda é uma palavra tão linda! Até parece nome de gente: "eram duas filhas e um filho: Miranda , Merenda  E Merengue. " Lindas palavras.
  Então, o marido que é o exemplo vivo da falta de lógica e regras dos preceitos médicos, come de tudo e quer mais , não faz nenhum movimento que não seja extremamente necessário e  gabarita nos exames de saúde enquanto eu fico lá  me enchendo de linhaça  e aveia desde os 35 anos  (eu era verdadeiramente muito magra), o marido  comprou salsichas. E vamos combinar que um macarrão com salsicha tem o seu lugar na vida.
  O marido, quando menino, adorava quando havia macarrão com salsicha na merenda escolar. Ficava para almoçar e diz que era o melhor  macarrão com salsicha da vida!
  Devia ser.  Não tive tanta sorte nos sabores de merenda. Levava uma terrível merendeira de couro que ficava impregnada com os odores . A garrafa térmica tinha um terrível vidro dentro, não era como as de hoje, e sempre quebrava, um inferno. E o perigo de se engolir um caco de vidro era semelhante a comer carne na sexta feira santa.
  Assim, eu acabava levando o seguinte:  gelo (pegava uma garrafinha de plástico, que já existia, enchia de água e deixava no congelador durante a noite) ou suco de tangerina. Cenoura com sal ou pão com manteiga e sal.  Não era lá muito atraente, mas eu gostava.

  Muita gente não comia durante o recreio, ah! Tanto o que brincar! Não dava tempo. Então, no ônibus, abríamos as lancheiras e trocávamos. Foi assim que aprendi que torrada com manteiga e mel é uma das boas coisas da vida!

  Charlie Brown leva constantemente pão com geleia e pasta de amendoim em um saco de papel. Nunca entendi esse sanduíche americano, e não tive coragem de provar a combinação.  Muita gente levava a coisa pro colégio lá em cima. Eu levava dinheiro e ia para "cafeteria", o nosso bandejão. Lá os americanos serviam-se de leite, sempre. Achava estranho beber leite na refeição. E o tal do "chili"? Uma carne moída com um molho picante industrial ou na cumbuca ou no pão. Não era meu forte. Mas, engordei assim mesmo.

O sensível livro Indez onde Bartolomeu Campos Queirós recorda infancia, traz um verso popular que eu desconhecia:
  Tudo serve de desculpa
Para Lelé não ir à escola
Ontem foi a dor de dente
Hoje perdeu a sacola
Outro dia a tal merenda
Que não foi bem preparada
Em vez de doce de leite
Mamãe lhe deu goiabada

 Goiabada é bom, Lelé!
Não foi fácil preparar merenda de filhos. Algo que não estragasse, que eles gostassem.. Mas já pegaram a era da industrialização, então todynhos e cereais coloridos e biscoitos goiabinhas, e o deliciosérrimo sumido lanche Mirabel de chocolate. Que coisa boa! Torradinho, perfeito!

No meu tempo não era assim. Vendia-se cachorro quente e batata frita na escola. Aquelas redondas e engorduradas. E picolé da kibon.
Mas ninguém queria enfrentar fila para comprar nada e raro era o pai que dava dinheiro. Ah! Mas a gente sonhava com aquele lanche industrializado!

Um livro que recomendo MUITO para quem tem criança é  A Mina de Ouro, editora Ática, escrito pela Sra Leandro Dupré.  É bárbaro. Um livro de aventura que agrada a meninos  e meninas. Eu li o meu antiguinho para os filhos e eles se lembram da história até hoje! Um grupo de crianças se perde no morro do Jaraguá e dentro do morro encontram uma mina de ouro.  Quando a fome chega, um pedacinho de salsicha é dividido entre todos.
Enquanto não saem de lá o grande desafio é o que comer, e os meninos encontram uma laranjeira dentro do morro,um lago com peixes...a h.. Só lendo!
O meu macarrão com salsicha  é simples. Nada demais mas funciona. A arte está no al dente, o ponto certo. Eu jogo na água para parar o cozimento depois retorno-o a panela com margarina ou manteiga. Aí, a salsicha partidinha com o molho de tomate... E queijo ralado pra quem quiser! Comam à vontade! Vou ficar olhando. 
( a foto da merendeira peguei neste fotolog  pelo google)


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Para não dizer que não falei de flores

Certamente os dois livros que mais me comoveram em relação ao romance culinário, se é que essa categoria existe, foram Como Água para Chocolate e Festa de Babette. Claro que estou tirando onda já que conheci ambos primeiramente no cinema. Assisti aos prantos Como água para chocolate! Sabe aquela hora em que o cobertor não acaba? Pois é. Corri para comprar o livro, li em voz alta gravando para o Clube da Boa Leitura ( biblioteca para cegos) aos prantos também. Que amor louco Tita nutria por Pedro! E Pedro, vamos combinar, era um boboca. Tita , ao contrário, especialíssima! E que mãe horrorosa! Mas não estranhei, pois na vida real conheci uma mãe que não permitiu que sua filha se casasse. Juro, cruz na mão. A moça foi noiva quatro vezes! Mas a mãe botava tanto piche que mulher acabou solteirona, chata, doente e infeliz. 

Mas, deixa isso pra lá e vamos à beleza! Em uma de suas refeições, Tita prepara codornas com pétalas de rosas. Pedro lhe presenteara com rosas brancas, e Tita as aperta tanto contra o peito que o fere e seu sangue tinge as pétalas que rapidamente ficam vermelhas.  Este prato, codornas com pétalas de rosa, impregnado com o sangue amoroso de Tita leva Gertrudes, sua irmã, a ser o elemento de ligação entre Tita e Pedro e a sentir tal ardor, tal desejo sexual, que sente o corpo ferver de paixão e gozo. Tenta tomar um banho, mas a água antes de tocar seu corpo evapora! A casa de banho pega fogo com seu calor e o odor das rosas chega a muito longe, chega aos sentidos de um soldado de nome Juan. Este segue o cheiro, pega Gertrudes nua , a coloca em seu cavalo e seguem fazendo amor. 

Já no belíssimo conto Festa de Babette, de Isak Dinesen, o prato Cailles en sarcophage  também inebria os convivas, principalmente um soldado graduado que já o tinha experimentado em um caríssimo restaurante parisiense.

Pela capa dos dois livros dá para notar a rigidez, o frio de Babette com sua negra e comprida roupa  e os traços latinos de uma sensual Tita. Babette está meio curva carregando uma cesta para alimentar os pobres. Tita coloca a mão na massa e olha para o leitor. Ambas as mulheres são frustradas em seus  amores, ambas cozinham muito bem, ambas transformam as vidas de quem come suas comidas inaugurando sensações.  Dois belíssimos e deliciosos filmes e livros. 

Eu, aqui pro meu lado, já comi codornas, faz tempo. Também já as tive quando morando em Belo Horizonte. Elas me presenteavam diariamente com seu belo ovo, semelhante aos ovinhos de tico-tico que a “princesa” Sandy comeu . 



  Ovos de codorna são lindos e deliciosos! É como a gente brincasse de bonecas ou estivesse em Liliput. Então, para receber nora e filho preparei uma salada com flores e ovos de codorna. As pétalas de rosa também entraram dando cor ao prato e , talvez, perfume. Como molho, preparei kefir com geleia de menta e mostarda, uma delícia.  E ficou lindo! As pétalas de rosa não são lá saborosas, mas o molho as torna e a gente tira uma onda. Por favor, se alguém souber fazer geleia de pétalas de rosa ou outra coisa, sou toda olhos! Aceito de bom grado!
Ah! O que aconteceu com as codornas? Eu morava na região da Pampulha, e por lá havia uns gatos selvagens. Um deles conseguiu comer as codornas.
                       FIM!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Tempero e te espero

Coisa boa é filho! E ele vem amanhã com  a nora!! Ueba! E a manhã  aqui em  casa foi de ervas e aromas para seu paladar!
O mais velho avisa: nunca diga para a mamãe que você gosta de alguma coisa, senão, sempre que você surgir ela vai preparar essa alguma coisa pra você!
Além do mais, pra mim, ele não tem 1,90, ele é assim, pequeno precisando de cuidados! De comida na boca.  Pelo menos nos meus sonhos ele é assim.
O marido fala que nunca conheceu ninguém mais mãe que eu, que sou mãe de filho, marido , enteado, cachorro e até de  peixe! Deixei que  ele acreditasse  nessa pequena lista, pois já me peguei  chamando tomate de fiilho....

E os filhos são carnívoros. O marido aproveita e vai em um açougue de confiança e enche a casa de carne, coisa que tenho de preparar e congelar com rapidez. 

Não como carne há tempos, só um pouco de  carne assada depois que descobri que tem menos colesterol do que peito de frango. Carne nunca foi meu forte, desde criança, tanto que  confundia bife a milanesa ( como o cara do  divertido  comercial activia ) com peixinho.  Criada em colégio de freiras, as coisas eram confusas. De um lado, não se podia comer carne na Sexta -feira Santa  de outro, o auge da Missa é a comunhão, um canibalismo heróico , profundo, sagrado. 

Que Leonardo Da Vinci e outros vegetarianos me perdoem, mas comer carne faz parte da nossa espécie. Nossos dentes caninos o demonstram, e a natureza  tem essa mania de só poder viver se outro morrer, seja bicho ou planta.
A carne desperta tantos desejos! Meus maravilhosos e amigos cães reviram os olhos, babam, obedecem-me com custo quando lhes dou um pedaço de carne.  O excelente, maravilhoso, divertido, inteligente filme A Marvada Carne apresenta esse nosso lado com maestria. Todas as virtudes se acabam tendo em vista a possibilidade de se matar um boi.  Ótimo de verdade! Fernandinha Torres está fabulosa na personalidade da moça emburrada que quer casar e olha que não gosto muito de suas atuações, pois, como diz a minha amiga magra "sempre acho que a Fernandinha vai me dar uma bronca". Mas em Marvada Carne e  também em Casa de Areia ela está estupenda! São dois filmes que a gente deve deixar por perto e assistir de vez em quando. 

Nas chega de papo pois o filho vem aí!
E tratemos de arrumar os temperos e preparar  as possibilidades, que são muitas e não quero perder tempo na cozinha enquanto estiverem aqui.  Deixar tudo de jeito para poder lamber a cria todos os segundos.
Na horta, colho todos, frescos e felizes. Salsinha, cebolinha, aipo, esse capim que tem gosto de alho e não sei o nome, e outros que não vou usar mas que quero à mão pelo prazer da coisa.  Volto carregada! Vi chuchu pedindo pra sair, abobrinha , brócolis , tomatinho e a deliciosa Ora pro Nobis cuja muda foi presente de Neide do  Come-se.


A  peça de lagarto já está limpa, furo-a ao som do banho de Psicose e esfrego sal grosso. Já na bacia, vinagre, alho, temperos diversos e geladeira, pois vai ficar assim pegando o gosto até amanhã!
Antes, já tinha picotado tudo pra carne moída, que linda! Vermelha com esses pontos verdes. Nela, acrescento o tempero pronto de provence, comprado na ida a São Paulo.   E tento tirar da minha idéia que pode ser o Maromba,(  não Angela, o Maromba foi para a casa de alguém que o queria como reprodutor, não iriam matar o Maromba...)
Nos meus textos infantis, não preciso começar com a frase " no tempo em que bichos falavam" pois eles falam, só que é na língua deles. Maromba, por exemplo, que foi criado aqui mesmo na mamadeira, abaixava a cabeça para eu fazer cafuné e vinha pra perto assim que o marido pegava o violão e começava a cantar. 
Ele era como o Touro Ferdinando, lindo e sensível. E bom reprodutor!
 Nos deu a belezura de Marrom e acolhia com satisfação o carinho de Neve, a bezerrinha mais fraca rejeitada pela mãe  mas esperta como ela só!  Comer carne fica difíiiiicil....

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Trivial variado

Era assim que minha mãe contratava as empregadas, perguntando se sabiam fazer o trivial simples ou o trivial variado.. E eu lá, aprendendo a ser mulher no mundo das palavras. Se palavras de costuras, o mundo acontecia em tons gelo ou bric, cores que evanesceram, cores de quem tinha it . Se palavras de culinária , além do trivial, havia várias outras. Nas festas, cuba libreleite de onça  coisa que, aliás, podia provocar enxaqueca na mãe. Então, ela deitava no quarto escuro com uma bacia prateada ao lado da cama, pois enjoava. Eu pegava uma cesta de matéria plástica branca, enchia com os brinquedos da gaveta, e ficava brincando no chão ao seu lado.

Herdei muitos traços de minha mãe  e inclusive a enxaqueca.  De vez em quando ela dizia que laranja provocava a dor, ou farinha de trigo.. Mas ela se livrou de tudo aos 40 anos, teve sorte. Do meu lado, o contrário, aos 50 a coisa piorou de um jeito maligno. Há 6 anos meu primo Claudio me indicou o "Santo" Sumax, e  há 2 tento outros tratamentos, coisa que melhorou em muito a dor e rendeu histórias loucas.  Por conta da enxaqueca, não posso comer chocolates ou amendoim, ou queijos gordurosos , se eu lamber um pirulito de chocolate ( como eram gostosos os tais pirulitos de chocolate da Kibon!) vou ter enxaqueca. Sei disso pois de vez em quando não resisto. Mas laranja posso. 

Não sou como a mãe do livro 5 Quartos da Laranja. Que menina terrível! Provocava a mãe só para a pobre ter enxaqueca! Escondia em um lenço cascas de laranja, assim, sempre que queria livrar-se da mãe, pimba, deixava o aroma espalhar-se pela casa e lá ia a mãe para o mundo da morfina.

Era tempo da guerra, tudo era escasso, e, ao que parece, menos a maldade.
Já bem mais velha, filhos criados, ela volta à cidade natal e relembra a guerra, a enxaqueca provocada e fala de comidas. O livro é bom,  é literatura da boa. 

Mas laranja , pra mim , é do bem, e no trivial variado, na linha frango com batatas, exploro Raquel que sabe cortar como um chef! Pica o peito de frango, a abobrinha ( continuam nascendo!) pimentões  e  cebola com maestria enquanto colho as laranjas.. Ah! Eram tangerinas! Paciência, vai assim mesmo. No suco das frutas, uma colher de maisena enquanto os peitos de frango tostam um pouco no azeite da wok.  Depois de tostados, pimentões e cebolas, e o suco de tangerinas com maisena.. Um pouco de shoyo é show! Acertando o sal.. É sol é sal  é sul! Delicioso! Acho que as tangerinas foram mais eficientes que as laranjas.
As batatas, ligeiramente fritas no azeite, perfect!

                                                                                                                                 Ah! As abobrinhas? Depois eu conto!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O Rei manda avisar, tra-la la la la la lá!

    Jaqueline me pede colo e histórias, mas a enxaqueca está me perturbando, e a menina, espertamente, me conquista me chamando de linda e lembrando o livro com o qual a presenteei há uns tempos, -lembra aquele livro que você me deu o botas gato que tem boneco?
    Pronto! Como o rei da história, caí direitinho! E já comecei a contar e a cantar a história que a minha mãe me contava e o nome Marquês de Carabás me levava à carambolas e cabritos e carabiolas.  Que nome maravilhoso!
    Mesmo sem o livro para brincarmos de teatro, pois vem com os personagens de pano para marionetes de dedo, reconto o conto misturando autores  e fazendo a voz do Rei da excelente coleção disquinhos:
  1. Hum.. Coelho com batatas é meu prato predileto! Hum.. Frango com batatas é meu prato predileto!
  2. Aqui o Rei prefere com cebolas, e, para não desagradar a ninguém, lá vou eu preparar o almoço com ambos pois o marido é como o rei: batatas são seu prato predileto não importa com o quê.
    Como, de minha parte, o peito de frango tem que ser o escolhido preferencialmente por conta de colesterol, acabei virando uma inventora de pratos de frango com batatas a ponto de imaginar um livro com 360 receitas de frango com batatas, variações sobre o mesmo tema!
    Dessa vez, com obra em casa, foi o mais simples. Raquel já me deixa as batatas cozidas  e cortadas em cubinhos para o que der e vier e o peito de frango limpo de fios, gorduras já com um pouco de sal e alho.
    Olho para eles e decido. Hoje a preguiça manda até na assadeira: vai de quentinha mesmo, sujou joga fora!
    Manteiga no fundo, as batatas partidinhas para o Rei , cebolas (que também já ficam partidinhas em um tupperware na geladeira), um pouco de leite e por cima de tudo o queijo ralado na hora, afinal, moro na região do queijo parmesão.
    Enquanto o forno faz a parte dele, manteiga na velha wok deixada aqui por uma visita (não encontro destamanhão pra comprar nova) e cantando, o rei manda avisar, tralálá lá lá lá lá.. , tosto em fogo alto o frango, desviro, um pouco de molho inglês e "voalá!" Perfeito! Arroz parbolizado, feijão carioquinha e uma salada  de abobrinha para mim, que um dia viajará nas ondas da net. O cheiro é ótimo, a tentação é grande, ah.. Só um pouquinho de manteiga  não vai fazer mal... 
    Dessa vez as batatas foram compradas, já plantei batatas literalmente, como as da foto!  É interessante pois o processo é semelhante aos das nossas células, nasce da própria batata, então, se você plantar sempre da mesma, ela vai diminuindo de tamanho a cada safra!  Basta pegar uma já  germinada, sabe aqueles carocinhos feito verrugas? Pois é,   é isso e enfiar na terra. Os cupins e as brocas gostam delas, é por isso que muitas aparecem com uns buracos pretos.  Mas,pra quem não quer agrotóxico na comida, a gente parte fora os buracos e faz que nem o Gato de Botas com o feiticeiro: deita-lhe         as unhas e come!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Desejando desjejum


Cada um tem um jeito de tomar café da manhã. E, em geral, vira mania.  Há quem não consiga comer nada quando acorda. Há quem precise de um cafezinho antes de mais nada. Há quem tenha uma fome ancestral! 

Da mamadeira até hoje, passei por fases:  café com leite, leite com Nescau, suco de laranja, berinjela com laranja, cereal maltado com leite.. Há seis anos que estou no suco verde: cenoura,couve, brócolis , espinafre, aipo(que aqui chamam de salsão) erva doce, o que mais tiver e maçã.
Adoro. Adorei desde o primeiro dia. Não, não inventei, vi no Sem Censura uma mulher com cara de sabe-tudo e fiz. Sou MUITO influenciável, principalmente para bobagem.
E o resultado foi imediato: em um mês meu colesterol tinha baixado! Depois acostumou e voltou a subir, mas tudo bem, valeu. É lindo, é divertido de fazer, faz bem, tira todas as culpas de não comer legumes durante um dia, enfim, gosto pra caramba. E meu filho menor também! Crio monstros.

O Jair disse que tem "gosto de trato de vaca" e olha que ele é o cara que põe abelha pra picar o muque pra ficar forte, bebe chá para curar o que for, acredita que casa de marimbondo na porta de casa dá sorte , mas, mesmo assim, não gostou do suco.

Um dos livros que mais li na infância foi As Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Adorava! Lia e relia, achava que eu tinha um pouco de Amy e um pouco de Jo.  E como tudo o que gosto vira coleção, hoje tenho várias  bonecas de papel, casinha, livro pop up  e audiobook das Mulherzinhas além das duas versões cinematográficas, a primeira com uma loura Elizabeth Taylor no papel de Amy. Assisti, também, a peça de teatro, com Silvia Buarque de Holanda como Jo e Martha Rosman como a insuportável Tia March.
Logo no início, as altruístas mulheres, dão seu café da manhã natalino para uma família pobre, e este café constava de creme de leite, bolinhos, biscoitos de farinha integral e pão.  Na casa da família pobre, a mãe prepara mingau de aveia e chá para a senhora doente. Assim, em casa, as meninas comeram apenas pão  e leite. Ah! Mas toda essa bondade foi recompensada, pois o vizinho rico  enviou flores , dois tipos de sorvetes, um rosa e um branco, um bolo, frutas e maravilhosos bombons franceses. Não é o máximo?

Sempre tive essa  idéia de que americano come ovos com bacon no café da manhã, até morar lá. Nada disso. A mãe deixava em um copinho plástico, tipo aquelas taças que vinham das caixas de mágica da infância (anda Catarina! Pára Catarina!) cheio do intragável suco de laranja comercializado já em embalagens longa vida (1971) e cada um escolhia seu cereal açucarado com leite e seguia a vida. Eu ficava na torrada de pão de forma que era guardado em gaveta, não mofava e o pão podia ser dobrado sem quebrar.
 
Meu enteado comia bife a milanesa, arroz e feijão de manhã; minha mãe apenas um café preto com dois biscoitos Maria. Meu pai, café com leite e um "rapitoxti" (devia ser o jeito cearense de minha mãe falar  rapid toast, isto é, sanduiche de queijo quente feito na sanduícheira em cima do fogão)
E eu agora estou no suco do Hulk, que tem até comunidade no orkut, é pra quem quer olhar pro sol sem óculos escuros.. Eu hein...

P.S. A obra da Louise May Alcott é domínio público. Se você fala inglês, pode encontrar aqui . Se você gosta de boneca de papel pode encontrar montes delas! aqui  ou aqui ou aqui a Meg, mas as outras também estão por aí na rede. Acho que tenho todas :-)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Vou contar pro seu pai que você namora


Já acordei pronta para amorar... pois é, já falei das amoras , e como há tantas congeladas, e Natal chega, e filho vem sábado com a nora que é fã da minha geleia, pronto: às geleias!

Raquel diz que geleia dar dor de cabeça pra ela. Para mim, pelo menos isso não dá. Sim, pois tenho dor de cabeça se pensar na expressão dor de cabeça, e ela vira enxaqueca muito mais rápido do que amoras em geleia. E fervo os potinhos, e como sou adepta do mexer em time que está ganhando, tento o liquidificador antes de fervê-las. Pois é, a Marilda veio aqui só pra me trazer um vidrinho de deliciosa geleia de framboesa e explicou:
- Pois é, Dona Angela
- Não me chama de dona..
- Então, a senhora pega,,
- Não precisa me chamar de senhora, somos amigas!
- e cuidado, pois framboesa tem espinho que é uma coisa! E bate tudo no liquidificador.. e bota na panela  com um tanto assim de açúcar e mexe e quando em vez vê se está no ponto.
Nada entendo de pontos. Nem de medidas. Sou que nem Deus na criação: faço e vejo se está bom. Erro como Ele errou também.  E tem a tal da pectina..
- Não coloco nada não, explica Marilda.
Mas eu uso maçãs ou laranjas, o que estiver nas árvores. Agora são maçãs. Lindas.
Marilda me explica então que pega um pires e traça assim, se juntar não tá bom, então faz até separar e pinga assim, se demorar um tanto, tá no ponto...
Nunca vi ninguém fazer geleia, é sempre de olho, mas se não é geleia o que faço é algo parecido  e com adeptos. O ar se enche do aroma de amoras enquanto sorvo o café coado no pano  recém feito. E com biscoito piraquê mesmo, pois acabaram-se os outros.. pode deixar norinha, até sábado teremos biscoitos de especiarias! E volto a folhear o excelente livro Vinho de Amoras. A autora é Joanne Harris. Ela surgiu com o tal Chocolate, que virou filme com o  pernóstico gato que se acha Johnny Depp num personagem cujo romance não pertence ao livro. Não dei fé, mas, como mania é mania comecei a ler.. pronto, gamei! E vinho de amoras é bárbaro! Um livro pra homem ler também. O narrador é um intragável vinho de amoras. O personagem, um escritor inglês. O cenário, a mesma cidade francesa de Chocolate. E passado se mistura com o presente no velho fantasma enigmático que planta tomates, o presente vai se formando aos poucos entre vinhos, chocolates, cafés e um bolo cuja descrição (maçãs carameladas em massa de amêndoas) me fez babar. No final “um perfume estranho de açúcar e maçãs e geleia de  amora preta e fumaça” Exatamente o que estou sentindo agora, sendo que , no meu caso , acrescento o penetrante cheiro de tinta azul do quarto novo , da grama roçada do vizinho e das sobras de abóbora de ontem..(viraram pãezinhos, não era essa a ideia, mas foi o que aconteceu)

P.S. O título do post é um ditado popular que também foi musicado pelo Renato Teixeira. Mas , em matéria de Renato Teixeira, recomendo isso!