quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Arroz-rice para muitos

Dia de muita gente requer comida de batalhão. E boa. É difícil fazer grande quantidade de comida saborosa, a gente se perde no caldeirão.  E mais, há que ser simples além de saborosa pois um não come isso, outro não come aquilo.. Em geral, tudo o que agrada a muitos é medíocre. Livros, por exemplo. Se o livro vende demais pode estar certo que não é literatura. Literatura vende bastante PARA literatura.  Programa de Tv, a mesma coisa. TV Pirata, quem lembra? Era divertido! Mas era coisa para cariocas e, mesmo assim, alguns. Para agradar ao Brasil todo Casseta e Planeta virou uma chatice de clichês, é necessário.

E vou receber muita gente. Se eu comesse carne seria fácil, uma feijoada bastava (mas, o meu vizinho é mestre famoso de feijoada, caso os convivas assim o desejem, lá embaixo tem) Lembrei da Tia Zezé. Tia Zezé era moderna. Trabalhava fora. Coisa rara naquele tempo! E sempre que a festa era na casa dela ela apresentava um belo arroz de forno. A gente já se arrumava preparada pois sabia que iríamos comer arroz de forno. O que, para mim, era ótimo! Criança enjoada (era assim que me chamavam, vovó fez até versinho: "angela é muito enjoada, não gosta de nada, mas a gente fecha os olhos porque é muito aplicada" Ainda existem crianças aplicadas?) bastava catar as ervilhas, enfileirá-las como um colar na beira do prato e comer o resto. O arroz de forno da tia Zezé não era "risoto", não era melado e vermelho, não tinha verdinhos ou vermelhinhos. Criança gostava.

Nos Eua , estranhava a ausência de arroz na mesa. Um dia fizeram arroz com galinha. Era "instant rice". Aí entendi porque não usavam arroz no dia a dia!!

Mas cresci  e meu paladar também.  E hoje faço um bom arroz. Antigamente era complicado! Catar o arroz, uma chaleira sempre fumegante sobre o fogão.. " Ih, Angela, dizia minha mãe, fazer arroz é muito difícil, vem cá e pega!" uma panela enrolada em um jornal aparecia na ferente da recém-casada. Arroz era tão importante que em alguns contos de fadas três grãos de arroz retirados da boca do Rei Sol que come gente e sabe de tudo, quebravam encantamentos. Quem assistiu o Teatrinho Trol na infância sabe disso.

Agora aprendi. Só uso o parbolizado. Lavo três vezes.
No Rio, ainda comprava o de saquinho, uma mão na roda. Refeição boa e certa de Domingo: desfiar o  frango da padaria, arroz, uma lata de seleta, outra de milho, uns pedaços de tudo, queijo ralado e forno. 

O livro Escola de Sabores é  simples como uma sessão das duas. Um grupo se reúne para aprender a cozinhar em um restaurante, e o livro conta a história de cada membro. Um deles é Ian. Morava em cima de um restaurante chinês. Quis fazer arroz, achando que bastava uma parte de arroz para duas de água e conseguiu empapar o arroz. Aí, descreve a lavagem do arroz assim: Ian segurou uma grande tigela de metal com uma camada de arroz no fundo, como um solo oceânico coberto por vários centímetros de água fria. Mergulhou a mão lá dentro e mexeu o arroz no sentido horário. Sentiu os grãos delicados deslizarem entre seus dedos e nuvens brancas e peroladas de amido invadiram a água como uma mudança de tempo no céu" Americano é phoddah pra metáforas,fala sério.  Devem fazer curso dessa coisa.
Então, os convivas vão ter arroz de forno.
Arroz feito com caldo caseiro de carne
A melhor parte do chester, pedaços de queijo prato, fatias recortadas de peito de peru defumado, ervilhas e mais o que quiser. A ciência está na quantidade e no tamanho das coisas. Equilibrado. Ah, claro, passas. Azeite por cima, queijo parmesão por cima.

Em separado, os cubinhos de pimentão porque nem todo mundo tolera.
Bom apetite!

2 comentários:

welze disse...

oi minha linda. adorei o seu blog. e o que é isso, de café com coador dentro do bule? coisa mais gostosa de rever. na casa da mamãe era assim. tão caseiro, tão deliciosamente bem lembrado. volte sempre ao gostosuras. será muito bem vinda.

Andréa disse...

Acho que não devemos nunca perder as nossas raízes , eu sou BH mas tenho parentes no interior que tem suas tradições.E café no coador é bem mais saboroso.

andreaquitutes.blogspot.com/

bjs,Andréa....