sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Se oriente rapaz..

Prosseguindo a sessão "me influencia que eu gosto", ainda não terminei o livro sobre as magras chinesas.. aliás, continuo invocada com essa coisa de comer na mesa.
Clao que sinto falta da refeição em família! Mas , quando eu era pequena, havia uma pessoa contratada apenas para tal luxo. A família se sentava à mesa enquanto a copeira ia e vinha carregando pratos (copeira e babá, depois que cresci, fim) e a cozinheira ficava na boca do fogão mantendo tudo quente. Época, aqui pra nós, injusta, elitista e terrível.


Depois, com o advento do forno de microondas e dos jogos americanos, a toalha de mesa foi guardada (por sinal, tenho uma linda bordada pela minha avó em ponto de cruz na epoca em que ela enxergava.. já pensei em tranformá-la em colcha, em vestido.. mas não tenho coragem) e os plásticos de 1,99 a substituiram.  Aí, assisti a esse filminho idiota que recomendo. História boba, comédia romantica fraca mas .. que paisagem! Pronto. Quero ir para a Irlanda. Agora ninguém me segura! Vou pra Irlanda e pronto, tenho dito!
Bem, o carinha da foto faz uma comida com a ajuda da gracinha ruiva (a atriz de Encantada que fez Julie e aprendeu a cozinhar) mata uma galinha e prepara um ensopado. Os dois cozinhando juntos , felizes, e o ÚNICO prato na mesa.. Agora, vá! Convença a um brasileiro comer de um único prato.. tem que ter farofa, ovinho, arroz, batatinha, pastel.. A gente não é assim.
Fiquei imaginando a cena na minha casa.. Todos querendo o peito da galinha! Reclamando que não tinha arroz. "Ah.. não vou segurar com a mão.. ah.. não gosto de ossos.." enfim..
 E as cenouras no canto do prato...

Mas sou curiosa e influenciável e , mesmo sem acabar o livro da Chinesa acabei o interessante Sopa de Romã . Este tem o charme de ter sido traduzido por Nina Horta
Conta a história de três irmãs que abrem um restaurante na Irlanda.. ó, aí de novo! E em cada capítulo há uma receita. Me animei toda com um "biscoito de arroz" Rá! eu devia ter seguido minha intuição! Ela diz que é pegar um dedo de azeite, esquentar, colocar arroz cozido  em cima e deixar em fogo baixo.. É claro que o resultado tinha de ser arroz queimado! o que eu estava pensando? Ah.. mas a autora traduzida fala com tanto charme sobre a crocância.. Pronto. Fiquei sem arroz.

Mas não desanimei. E liguei a TV e vi Anthony Bourdain na Tailandia, falando em noz moscada, cravo.. Era um sinal!
Ele provava aquela nojeira, que vamos combinar, ele tem coragem, o povo suado mexendo nos caldeirões no chão com as mãos..  e dizia que era bom, e dava a lista dos condimentos..

Então, decidi que era a minha vez:
Eu tinha frango desfiado comprado pronto, que é bom, mas é meio duro. Então, numa vaporeira, fui lembrando dos livros, das histórias  e coloquei na água cravo, canela, nóz moscada, sal, pimenta e fui botando e provando. E o frango foi para o vapor. Depois de bem molinho, na frigideira, margarina, óleo de gergelim, cebola, alho, e uma colherzinha de açúcar mascavo. E lá foi o frango feliz da vida se bronzear! E provando, e cantando, e umas passas.. poucas e .. gostosura!
(ele é o marronzinho, comido com uma batata dourada e uns grãos de bico  e umas folhas)

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