sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tap, tap, tap tapioca!!!

A infância era assim: a parentada vinha do Ceará de bagagem cheia! Goma pra tapioca, rapadura, cajuzinho cristalizado, castanhas de caju, rede, camisolinha bordada. Era a festa!
Aprendi desde cedo que sobremesa do dia a dia, além de goiabada com queijo, era  melado com farinha. E mais: que ser cearense era motivo de orgulho.  Minha mãe contava que um parente, ao ser questionado se era do Ceará, havia respondido: sou, mas não espalha pra não causar inveja...
A infância era assim: sortida! Em Copacabana , no meu prédio, havia de tudo. Literalmente. Até uma Princesa de verdade, fugida de algum país frio. Minhas melhores amigas eram filhas de paraibano, mineiro e baiano.  Volta e meia um americano alugava o primeiro andar,o que aumentava o meu vocabulário em inglês,  ou , até mesmo, judeus egípcios, com os quais partilhei pão ázimo  tive as primeiras noções de francês.

Quando a goma chegava, tapiocas quentes, simultaneamente crocantes e macias faziam parte do café da manhã, pois a empregada também era cearense. A manteiga derretia e a experiência sensorial exigia atenção: dentes na borracha, gosto bom, meio puxa, meio partido..

Esqueci delas. Via vendendo nas ruas com o estranho nome de Biju, mas recheadas de leite condensado, coisa não muito atraente (leite condensado cru não é o meu prato predileto. Dentro da panela de feijão, moreno, aí sim... Uau!)
Achava que era outra coisa.
Então cismei. Queria tapioca outra vez. Pedi ajuda aos universitários, aprendi  que polvilho doce era a tal goma mas precisava ser umedecida. Vi video no youtube ensinando a fazer. Depois de algumas tentativas frustradas, voilá! Uma tapioca!
As outras tentativas não deram certo.. Aí fui pro Maranhão! Vi como se faz, voltei toda cheia de eu sei. Mesma coisa, uma funcionava  a outra não.
Então, li o delicioso livro O Não me deixes, da contraparente Rachel de Queiroz. Livro cheio de receitas da fronteira de Ceará e Bahia, das implicâncias infantis com os sabores, e recordações do paladar. Tenho certeza de que todos os meus 10 leitores tem recordações incríveis de sabores!Vou adorar conhecer!
 E a vontade de comer tapioca voltou! E eu fiz!!! E acho que nunca mais vou errar.

Pra quem não sabe é assim: umedeça o polvilho até virar uma farofa. Passe no coador (tem gente que chama de peneirinha) . Na tefal quente , com o auxílio de uma concha ou de um ralador de grade mais aberto, coloque o círculo de goma. Em pouco tempo as pontas vão levantar. Grudou. Eu reviro, gosto de amorenar.. Tem quem coma assim mesmo.. Ótimo substituto para pãozinho nesse tempo de chuva!

5 comentários:

welze disse...

minha linda, quantas lembranças. mas o melhor de tudo foi o caju cristalizado e a farinha no melado. SENHORDAGLÓRIA, é demais de bom . um abraço

Gina disse...

Angela,
Já travei essa batalha de fazer tapioca, ora dando certo, ora não. E o resultado, compensa a insistência.
Parente nordestino? Tem um monte na minha família. Sabe aquela música do Chico "o meu pai era paulista, meu avô pernambucano..." Parece que ele descreve a minha família.
Estou preparando uma "blogagem" (não gosto muito dessa palavra, mas se existe presidenta...) bom, voltando à blogagem, que tem tudo a ver com sabores e memórias. Quando estiver pronta, conto com você para abrilhantar, viu?
Minhas recordações sensoriais são muitas, banana da terra frita com açúcar e canela, bolo de fubá da minha mãe, biscoito de nata... Dê uma olhadinha nesse post:
http://nacozinhabrasil-gina.blogspot.com/2010/03/as-voltas-que-vida-da.html

Bjs!

Doni Nascimento disse...

Obrigado pela sua visita, seu blog esta muito bom.
Para seguir o Petit Chef é so se cadastrar.
Abraço

Doni Nascimento
Bistro Le Rêve

Chris L. disse...

Gostos antigos grudados na memória: fios de ovos da minha mãe. Bolinho de chuva, pipoca doce caramelada, salpicão de frango, lambari frito e fritada do meu pai, doce de goiaba de orelhinha, balas de alfinis, paçoca de amendoim, gemada...

angela disse...

Welze, eu acho que um dos meus tios ou era dono ou tinha a ver com a Jandaia, Iracema, sei lá. Lembro de ter ido na "fábrica" de castanha com ele. Uau!! Pilhas de castanhas pra todo lado! E esse caju cristalizado, quando voltei agora depois de quase quarenta anos, não existe mais pra vender essa caixinha.

Aliás, na Bahia havia um chocolate cremoso que vinha em tubo que era UM TROÇO DE BOM VIRGE MARIAORAI POR NÒS!! Sumiu.
Chris, não consigo fazer pipoca doce!! e o que ´bala de alfinis?
Gina, vou já lá.
Parece que o Chico esqueceu que ele era carioca, não é mesmo? O marido fez até uma música sobre isso, tá por aí na rede. Se chama Carioca. Soubemos que houve um evento no Rio onde sua letra foi declamda. Ejá vou ler essa memória.

Doni, o prazer é meu! Eu sei o lance do petit chefe, é por isso que o recebo. E tive a sorte de parar no seu blog!