quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Desejo e mandioca

Calma.. não precisam tirar as crianças do computador.

Uma das anedotas familiares foi um trabalho escolar que tive de apresentar aos 10 anos sobre a mandioca. Eu andava pela casa com o meu cartaz procurando plateia para treinar a exposição. Ih! Lá vem a Angela com a mandioca! Durante um tempo, na família, este mote foi o nosso "asdrubal trouxe o trombone" .
Como filha de cearense e neta de baiana, aipim fazia parte do nosso dia a dia. De acordo com o livro da culinária do Paraná, mandioca é a verdadeira rainha do país.
Gilberto Freire no sensacional Casa Grande e Senzala, no capítulo sobre a contribuição indígena à nossa culinária, dedica umas 4 páginas a essa raiz.  E também relata sobre o hábito dos indígenas de comerem... Barro!

Tá explicado! Na gravidez do meu segundo filho tive um desejo incontrolável por algo que eu não sabia  o que era. Eu precisava comer o cheiro da chuva, ó que problemão! Até que , um dia, vi uns cacos de tijolo: é isso! e passei a andar com pedaços de tijolo na bolsa os mordiscando como proibidos petiscos. Veja só, eu, que me achava descendente direta de Adão e Eva, branca  ou "russa de mal pelo " do jeito que minha madrinha me chamava, descubro-me com algo de cabocla! Ninguém me segura mais! 

Se a macaxera cearense aparecia em casa na forma de farinha de mesa, diariamente, o aipim baiano era presente nos cozidos da casa da avó ou, até mesmo, como em Seara Vermelha ou Cacau de Jorge Amado, juntamente com o cafezinho.. Como sei disso? Se eu li ambos os livros? Nada, só tirando onda. Mas li e possuo o ótimo livro de sua filha A comida Baiana de Jorge Amado ou O livro de Cozinha de Pedro Archanjo com as Merendas de Dona Flor, título que , pela extensão, já deve estar no Guiness.  Excelente livro! Paloma Amado fez uma pesquisa  exaustiva da obra do pai e coletou todas as referências culinárias , assim, entremeando receita e trechos dos livros, nos oferece um  verdadeiro prazer.

E aqui, Graças ao bom Deus pai, tenho aipim, ou mandioca, ou macaxera, tirada da terra na horinha para saborear .. Mas, além do comum , encontrado em mercados e feiras , tenho do amarelo! Gente, quem não provou não sabe o que é bom! É lindo na cor, é macio, não tem aquela fibra central. Cozinha fácil, frita rápido e hummm. Dá desejo de mais! Quando a tigela chegou, senti-me como quando comia tijolo: tinha de comer! E mesmo frio, durante o dia, lá ia eu e mordiscava um, e outro.. e.. Ah! Coisa boa assim não pode engordar ou fazer mal! Como se faz? simples: primeiro há que se descascar a raiz: corta-se em pedaços, dá um talho longitudinal com a faca e a casca sai inteira. Aí, coloca na água fria com sal e ferve-se até ficar macia, rapidinho. Escorre, deixa esfriar, tira-se os fios grossos, e aí frita-se no óleo bem quente! retira-se quando estiver dourada, enxuga o óleo, salzinho e.. hum... Ó Tupã  Deus do Brasil!!

Ah! satisfazer os desejos é bom demais! por sinal, como satisfazer esse meu novo enlouquecido desejo? preciso de uma bimby urgente!! Alguém tem uma sobrando? Alguém assim, muito rico, que compra um aparelho como esse por 5  mil reais, na boa, e depois descurte? eu quero!! Não penso em outra coisa!
(Nada de tirar as crianças de perto, já disse! :-) que nome estranho, né? )

2 comentários:

Gina disse...

As portuguesas vivem falando na Bimby. Que ela faz isso, que faz aquilo e mais aquilo outro... Facilita um bocado a vida.
Ó, aqui também tem da mandioca amarela, viu? O chato é que tenho a maior cisma de comprar, porque é bem difícil encontrar de boa qualidade, que cozinhe bem. Infelizmente, porque é boa demais.
Então você também tem raízes nordestinas! Sabe aquela música do Chico, "o meu pai era paulista, meu avô pernambucano, o meu bisavô mineiro, meu tataravô baiano"? Pois é, sou mais ou menos assim.
Bjs.

Fabiola disse...

Para mim, além da minha paixão por farinha de mandioca torrada... mandioca cozida quentinha amassada com açúcar!!! Claro, lembra infância, lembra mimha avó que ainda derretia rapadura e comia quantinha com farinha... claro, de mandioca.
Ah Angela... que saudades de dar um dedinho de prosa com você. Eu dei mesmo uma escapada dos afazeres. Aqui, a cozinha exala um cheirinho de brigadeiros e maionese: festinha de aniversário! E eu ainda acho que os brigadeiros são poucos. Fome de criança é sempre de doce!
Gostei muito do site da estante virtual que você me passou. Fui então xeretar os seus livros e pude até escutar um trechinho dos que estão em aúdio. Gostei muito, muito mesmo.
Você me disse que tem alguns romances culinários na manga? Então, esperarei!
Minha querida amiga, desejo um excelente fim de semana.
Fabiola