terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Todo Santo Dia


Comida é coisa diária, três vezes ao dia ainda por cima! E seres humanos não aguentam comer apenas a mesma ração pro resto da vida. Além de variar, queremos sal e doce.
Aqui, não somos muito de doce. Eu gosto mais do que todos da família, e, mesmo assim, nada muito cremoso, com ovos ou com muito açúcar. Aprendi na infancia a comer melado com farinha, mas, no fundo, o que eu gostava era de derramar o fio do melado no prato formando nomes, estrelas. Goiabada com queijo também era bom. E outras poucas coisas.
Mas, em compensação, adoro livros sobre doces! Eles me remetem à casa de doces do Joãozinho e Maria, coisa que fiz no aniversário do filho.
Então, estava curtindo o por do sol na varanda nova em folha quando um fdp de um mosquito mordeu a sola do meu pé. Fala sério! Na sola do pé é covardia. Não adianta coçar pois, se coçar demais faz cosquinha! Afinal, pra quê existem mosquitos? E a coceira não passa, é daqueles que deixa um mínimo círculo de sangue.. Será que existe Santo padroeiro de mordida de mosquito? Tem pra tudo! Fui procurar.

Um dos livros que mais gosto é o Santa Receitas, de Sonia Abraao. Tomei o maior susto quando vi na livraria do aeroporto! Se fosse jogo de acertar, eu diria sem titubear que Sonia  era judia.  Tanto o sobrenome quanto as feições me traíram.
E o livro é um deslumbre! A capa cheia de santinhos, aqueles santinhos que as freiras nos presenteavam e a gente comparava, contando as estrelinhas que haviam no fundo, as rosas, os carneirinhos. No verso, os doces. Lindos! Outro susto: nunca imaginei que, em sendo católica, fosse fervorosa a ponto de um padre prefaciar. Só a vejo na tv no zapeado, e sempre fofocando sobre a vida alheia, nada muito compadecido. Enfim.. O livro é bárbaro. Traz receitas, orações, histórias. Talvez inventadas mas valem a pena. Além de ser um enfeite.
É, mas não havia nenhum santo para hoje e estou com uma vontade de comer doce...
Vou então no Dicionário de santos Oxford e descubro que hoje é dia de santa Brígida da Irlanda (Ó! Outro sinal!), a padroeira do queijo, das mulheres leiteiras , embora haja controvérsias sobre sua existência, entre seus milagres há a multiplicação da comida! E não qualquer uma: manteiga aos pobres e até sua água do banho era transformada em..... CERVEJA!
Enfim, existindo ou não, ganhou uma fã. 


Mas o doce que decido fazer a homenageá-la não leva leite. É um dos meus prediletos, e meio que inventado por mim.  Tenho muita cidra no pomar e odeio o doce de cidra tradicional,um verde e muito doce. E cidra, até o o que sei, só serve para isso.  Se já me dói desperdiçar o mundão de fruta, imagine toda! Então, pego só as bem amarelas e procedo como manda o figurino: raspo a casca , tiro o miolo,  e  ralo a parte branca. Aí, coloco na água, trocando a água pelo menos uma vez ao dia durante três dias.
Depois, é fogo brando, duas colheradas de açúcar  e uns paus de canela até o ponto que.... O ponto que eu acho que tá bom.  Caso a água tenha lavado demais o sabor, acrescento o suco de laranja ou limão, ou o que tiver cítrico. E também um pouco de água. A textura é como coco ralado.
Aí sim, Viva Santa Brígida! Um belo pedaço de queijo de minas pra comer junto!
A propósito: não achei Santo pra mordida de mosquito mas achei pra abelha: Santo Ambrósio, São Bernardo e São Modomnoc 

2 comentários:

Gina disse...

Está na "pauta" algo em torno de João e Maria, mas você chegou primeiro. Isso não vale! Quando eu publicar, você vai entender...rs!
Doce de cidra desse jeito só inventando mesmo. Conheço o tradicional, que até gosto, mas não me deslumbra...
Não é que existe mesmo dicionário de santos?
Bjs.

angela disse...

Gina, quando eu fiz 7 anos, meu bolo foi a casinha de doces! A bruxa era uma bruxa de pano , artesanato cearense, e os bonecos minha tia fez. Meu pai fez a casa, e minha tia ,q ue era a boleira da família, decorou. Minha irmã pintou as janelas.. ah! eu adorei!
Repeti para meus filhos!
As crianças avançaram nas escadas de chiclete ping pong!(ou já era bazooca?)