quarta-feira, 30 de março de 2011

Era uma vez..

Meus pais gostavam de viajar.Pegavam o carro sem destino e íamos pelo Brasil. Naquela época, não havia estradas asfaltadas para todos os cantos, Brasília era um grande canteiro de obras, e o carro era um gordine azul marinho.

Aí, a gente comia no meio do caminho. Parávamos em algum lugar, sentávamos e esperávamos as surpresas da vida, confesso que , para mim, criança enjoada, nunca muito agradáveis. Uma vez , morta de fome, tarde da noite, chegamos em uma cidade e só um bar aberto.
- Tem comida?
-Tem simsinhô.
- O quê?
-Paca
(mamãe vibra, nunca tinha comido paca, angela sente as lágrimas aflorarem.Mãe com pena:)
- Há outra coisa?
-Tem pastel
 (angela vibra!)- de quê?
-Bacalhau.
(lagrimas surgem)
- Não tem mais nada?
- Tem sorvete..
(uma esperança!)
- sorvete de jenipapo..
Copiosas lágrimas! o jeito foi comer pão duro. Doutra feita ( doutra feita é bárbaro!) a mesa de almoço foi posta, farta! o preço era um só, a gente sentava, lutandocom as moscas, e vários pratinhos surgiam: feijão, farofa, arroz, carne, e...
-OI que é isso?
- Nhonhoque, a senhora conhece?

  Sim, conhecíamos, dispensamos. Então, eu quis fazer nhoque! nunca tinha feito, mas comprei uma maquina na loja de 1,99( ela custou 8 reais) e tinha de usar! igual a dessa foto aí!
E as abóboras.. eu sei , eu sei, ninguém mais aguenta falar em abóbora! então, finge que é batata doce, o que importa é o resultado.
Não sou lá de nhoque, acho massudo, mas o da maquininha é pequenino, acho que vou gostar.. e quero fazer de abóbora! RÁ!!!! Cozinhei no vapor tudo direitinho e quem é que disse que acrescentando farinha a massa surge? Só se forem dez quilos de farinha! pois abóbora pescoçuda mesmo, no vapor, é molhada e não faz massa nem por milagre!

Desisti do nhoque, fica pra próxima, descobri em um video do youtube que eu deveria deixar a abóbora escorrendo horas em uma peneira pra fazer nhoque (é, vocês não se livraram do nhoque de abóbora! ele voltará!)
Mas a massa molenga estava lá, com um pouco de ovo nela , conforme as receitas mandavam e muita farinha.. lá, olhando pra mim.. querendo dizer alguma coisa..
Botei o resto do ovo, e temperei com noz moscada, sal, pimenta do reino, e manteiga derretida, e uma colherzinha de fermento , e mais farinha e, em uma forma, coloquei a metade. Dentro, pedaços de queijo de minas, fatias finas de presunto, cobri com mais massa, e forno!
Será um avião? um suflesão? um pão? Não! é uma ótima invenção!
Quentinho saiu, sabe pãode queijo que fica com a casca dura e o recheio puxa? pois é!!
Gosto delicioso, bom mesmo! no dia seguinte, ainda peguei em fatias finas e grelhei. Ó! daqui!! Está tudo fora de foco, mas é lindo e saboroso!

11 comentários:

Fer Guimaraes Rosa disse...

Angela, hahaha, paca, pastel e jenipapo, que menu!
eu lembro de comer um misto quente num bar da estrada, na metade do caminho entre Itararé [onde nasci] e São Paulo [onde morava toda a familia da minha mãe]. era uma delicia. já tive uma experiencia estranha fazendo nhoque de abóbora. um dia gostaria de tentar de novo. um beijo,

Kenia Bahr! disse...

Adorei! Me instigam muitos esses banquetes surpresa por esse mundão! Eu acho que, mesmo quando criança, ia querer um pouco de cada coisa... sempre fui de paladares estranhos e aos 3 anos meu prato favorito já era Pequi! Vai entender...

welze disse...

mais uma constatação que nesse mundo, nada se cria, tudo se transforma. boa semana

Gina disse...

O legal de nossas andanças por esse mundo afora é a experiência que se adquire. Os sabores, os aromas resgatam as lembranças e até parece que o prato fica mais saboroso.
Deixa eu contar que em Santos, a long time ago..., pedimos uma pizza de muçarela com presunto, coisa simples pra não complicar. Adivinha como veio! Pois é, metade queijo, metade presunto.
Ah, se eu fosse a Angela menina também choraria...rs!
Bjs.

Priscila Rivera disse...

Eu também era uma criança enjoada pra comer...mas paca!!Pera lá né! Como assim vc não gosta de bacalhau?
Hey,EU AGUENTO SIM FALAR EM ABÓBORAS!!!!!!!!
Espero ansiosa o nhoque de abóbora!! Viva as abóboras!
Essa ótima invenção aí na foto parece gostosa mas nem arrisco fazer,já me manquei que não tenho talentos culinários e depois daquele dia dos waffles deisti de mexer com minhas queridas abóbras :D Ah,mas não te contei...os waffles foram feitos sim mas não por mim :-( Ficaram deliciosoooooos!!

Andréa disse...

Belas lembranças, eu viajei no seu post, legal!

Tenha um ótimo fim de semana!
bjs,
Andréa....

Alan disse...

Ângela, que blog delicioso! Já bisbilhotei um monte de receitas. O resultado é que me deu uma fooooome! hehehe
Parabéns. Vou já divulgar pelaí.
Bjs

Cynthia Dorneles disse...

Adorei e já dei gargalhadas por aqui. Parabéns!

angela disse...

Oba! mais gente amiga!
Livros, filmes e sabores.Vão gostar, prometo me esforçar.
Fer, eu tive um empregado que comia sanduíche de bolo. Isso mesmo: pão com bolo dentro. Então, o mundo é muito sortido!
Kenia, estou te esperando quando vier por aqui pra gente trocar essas experiências!
Gina, essa é a segunda vez que moro em Minas, naprimeira, não me conformava com a tal coxinha de camarão. Como assim,camarão tem coxas? Agora acostumei. Em breve, pizza de mussarela de presunto!
Pri, a quantidade delas que me espera na oficina vai dar assunto por um ano!

Mundo do Sabor disse...

kkkkkk, rachei de rir das suas decepções gastronômicas na infância, mas não se zangue não, foi muito engraçado.Um dia vou de brincadeirinha oferecer para minhas meninas, para ver a reação delas:tem sorvete:- êbaaa ....de jenipapo...Ecaaa hehehe.Eu particularmente adoro,mas elas torcem o nariz.
Agora Ângela , adorei sua invenção de abóbora é da criatividade que surgem as melhores receitas.

Beijooos

angela disse...

Rosiane e Welze, acho que a culinária começou assim, transformando. Um dia vi no Discovery um macaco salgando uma raiz , a dita caiu na água salgada, ele provou, gostou, passou a temperar e ensinou pros amigos!