sexta-feira, 18 de março de 2011

Vou aqui e volto já







Esse é o nome de um dos livros da coleção 12 olhos e uma história, ou Assim é como assim lhe parece, da Ediouro, que ganhou muitos prêmios na ocasião e que eu sou uma das três autoras, divido a honra com Lia Neiva e a saudosa Sylvia Orthof.

A coleção foi pensada pela então editora Helena Rodarte. A idéia era que Lia Neiva inventasse um conto de fadas em 5 páginas.Eu o receberia e ,também em 5 páginas, reescreveria a história como se fosse uma das personages e passaria para Syvia fazer o mesmo.
Nesse caso,escolhi ser a padeira do casamento do príncipe.  E digo: " Exagerava na canela e na baunilha para que o odor dos pães viajasse muitas léguas e satisfizesse os narizes de todo o povoado. A tradição do Reino das Três Montanhas ditava que quatro habitantes do reinam tinham o privilégio de assistir aos festejos sobre a muralha do palácio e deliciar-se com a visão e odores das iguarias. Artemiza achava isto um absurdo. Ela achava que deviam ser cinco os escolhidos: um homem, uma mulher, um cego, uma criança e um surdo. Isso sim seria justo. Assim, sua rebeldia transformava seus pães em verdadeira fábrica de perfumes, de modo que todo o reino era capaz de lembrar-lhes o cheiro por muitas luas."
Acho que na ocasião em que escrevi eu já antecipava meu futuro interesse por comidas.  E como é bom sentir os odores! Tanto, que no livro Caixa surpresa, também da Ediouro, escrevo que " guardo cheiros de mato/hortelã, terra molhada/flores, batata assada,/pipoca quente, pão fresquinho,/ perfumes dos mais diversos./Tantos gostosos cheirinhos/que não cabem nestes versos.
Cada um tem seu cheiro preferido. O pescoço do neném ,filho da gente, é um  daqueles que desperta tudo o que  a gente tem de bom. O pão no forno traz um aroma que faz a gente salivar mais que o cão de Pavlov e o estômago reconhece como felicidade. E o mato roçado.. ah! esse chega a dar barato!
E foi isso, o Jair estava roçando o mato em volta da casa e o cheiro verde tudo perfumou!
Inspirada, fui pro forno pra oferecer a vocês um cafezinho passado na hora com biscoitos.. eu não sei se o nome disso é biscoito, ou é bolinho ou é cookie, americanamente. Acho que o nome deve ser gostosura . E é assim: na batedeira,um ovo, no caso, caipira que dá aquela cor de sol em tudo. Junto, umas duas colheres cheias de açúcar mascavo, caprichadas como montanhas. E duas de manteiga ( na realidade usei a qualy vita mas não conta pra Neide não senão ela briga)E vai batendo! e uma xícara de farinha de trigo branca, meia de farinha integral e meia de maizena .Uma colher de sobremesa de fermento em pó. E duas colheres de leite (usei desnatado) aí, passas a gosto e raspas de cascas de limão. Achei que precisava, acrescentei uma colher de sopa de mel de abelha. Então,em colheradas na forma untada, ou melhor, no papel manteiga untado pra não dar trabalho. E o aroma.. hum..
É de flutuar! e se você se lembra que tudo isso se misturou, o doce, o fermento, o verde..
E dourados, ficaram prontos, a gostosura, com uma camada fina crocante externa e a maciez interna.
No dia seguinte, se sobrar, fica tudo macio e saboroso e a gente come sem culpa, pois pode engordar mas faz bem à saúde!

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