quinta-feira, 28 de abril de 2011

Era uma vez uma bananeira

Era uma vez uma bananeira
Que nasceu toda faceira,
Lá no canto do pomar
Seu crescimento foi normal
 todo verde e amarelo
Como a bandeira nacional

Assim que ficou bem grande
Folhas se abriram em par
Já fornecendo sombra
Para quem fosse passar
 
Que susto, meu deus, que é isso?
Um rabo , uma corda , uma linha?
Um peixe só com espinha?
Ah! É seu cacho brotando!
E na ponta um coração
Uma gota, que emoção!

Com seus frutos engordando
Voando naquela altura
Um bem-te-vi teve a ideia
De fazer seu ninho na cobertura

XÕ passarinho , aí não!
Voe para outras paragens
Deixe o cacho sossegado
Faça o ninho nas folhagens.

Enquanto isso, o coração
Ou sei lá que aquilo fosse
Não me parecia doce
Mas exercia grande atração
A um beija-flor  colorido
Que de tres em tres minutos
Dava-lhe um beijo seduzido.


Seus frutos já gordos e fortes
Atrairam um tucano guloso
Enfiava-os inteiro no bico
Achando tudo bem gostoso

Xõ tucano bicudo!
Voe pra longe, lá pra cima
Deixe em paz a minha menina!
Seu tucano abelhudo!


O cacho agora protegido
Poderia crescer em paz
Um dos frutos amarelou
E um passarinho o bicou

Agora seu coração foi cortado
E bem lavado, fatiado
Com cuidado pra não sujar
a roupa, a mão e tal
E outros tantos temperos
Um gostoso festival
Desabores e cheiros!

O cacho estava prontinho!
E com um machado  afiado
 o tronco foi cortado
E o cacho ficou no quentinho

Algumas bananas verdes
Foram pra panela de pressão
Ficaram lá 20 minutos
Bem cozidas , um montão
Descascadas , quentes e macias
Já pro liquidificador
Aquela polpa verde e rosa
Virou uma massa poderosa
Participando de bolos e biscoitos
Sucos; doces e salgados
Confesso que alguns  bem queimados

Enquanto isso, as amarelas
Eram assim saboreadas
Descascadas e comidas
Sem açúcar, sem mais nada

Umas pintas pretas surgiram
E lá foram  para a panela
Doces , bolos e tortas
Nada melhor do que ela!
E banana na farofa, no arroz e no biscoito
A receita de tantas gostosuras
Aos poucos escreverei
Não sou mulher de usuras
O que deu certo dividirei!




Ah! Ainda há bananas maduras
Que pecado jogar fora!
Vão todas para a secadora
Com um pouquinho de limão
Agora que beleza,  bala douradas de banana
Pra comer vendo televisão

E o caule? E as folhas?
As folhas da bananeira
Embrulharam peixes, forraram mesas
Enquanto seus frutos eram sobremesa

O caule depois de seco
Deu uma palha boa
Trançada e presas de jeito
Surgiu um chapeu perfeito

O restinho do tronco no chão
Depois de bem cavado
E por pouco tempo tampado
Guardou um suco especial
Um tônico para os cabelos
Nunca se viu nada igual

E foi assim o fim da bananeira...
Mas , espere.. Não acabou a brincadeira!
Do seu lado, que surpresa!
Nasce, outra que  beleza!

6 comentários:

Kenia Bahr! disse...

Que lindo, adorei as descrições! A banana e a bananeira são mesmo rainhas de utilidade e beleza, não?
Não é à toa que seu nome científico é Musa paradisiaca, ela é nada menos que a musa desse paraíso-mundo!
Beijos

Chris L. disse...

lembrei da Ma e dos chapéus de palha!

Beta disse...

Que saudades de visitar seu blog! Adorei o post! bjs

Priscila Rivera disse...

Ai,que lindo!!!! Kenia Bahr disse tudo! Angela,vc acaba comigo...primeiro foram as abóboras,agora as bananas.Risos! É que eu também amo tudo com bananas!! As vezes até frito e só coloco um pouquinho de açucar. Não posso ver um doce de banana...delícia demais!! Acho que é minha fruta preferida,morro de rir pq vejo muita gente tem vergonha de falar que adora bananas. Já viu isso? Eu vejo direto,risos.

Mundo do Sabor disse...

Amodoro bananas, Ângela, e com sua poesia culinária ,fui relembrando fatos da minha infância deliciosa, como o rabinho que ficava dependurado na bananeira , eu e minha irmã íamos destacando.. ficava aquele fiozinho parecendo teia de aranha entre eles,fazíamos isto até terminar ,e no final aparecia um pontilhado.
Num mundo tão precisado do aproveitamento total para garantir a sobrevivência da nossa espécie e de todas as outras que habitam este planeta azul, esta postagem além de deliiciosa é necessária.

Beijooos

saborcomletras disse...

Na minha infância não tinha consciência da boniteza do mexer nas panelas. Hoje, sim! Consigo ter clareza da importância, de tantas e tantas vezes, ver a minha mãe com as mãos sujas de farinha e ovo, preparando bolos, pães e tantas outras delícias. Agora sei, ela estava fazendo muito mais que nos alimentar.