segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pobre pobre pobre de marré deci

Estou na moda. Sempre reciclei só que não tinha esse nome. A verdade é que o meu maior sonho quando criança era ser pobre. Sério. Por exemplo, a Cinderella é  muito mais interessante enquanto pobre. Depois a gente não sabe o que acontece com ela. Laura Ingalls, então, nem se fala! Ah! brincar de bonecas de papel feitas com restos de papel, colorir com barbante as folhas para fazer papel de presente.. por sinal, quando criança, toda casa tinha uma gaveta com papéis de presente pra reutilizar. Sem contar com um armarinho cheio de papel de pão, barbantes usados e vidros de geleia.
É ser pobre era mais divertido. Adorava bonecas de papel baratinhas, compradas em banca ou desenhadas em casa mesmo. (adoro até hoje, cato tudo que vejo na rede) Ser pobre era mais criativo, tudo tinha de ser feito, sem contar que , na literatura, todos os pobres eram muito mais legais, solidários, virtuosos.
Assim eu mesma fazia minhas casinhas. Ainda, as  férias prediletas se davam na casa da Tia Julieta , casa construída com material de demolição, luminária feita a partir de uma gaiola velha pintada, mesa de pé de máquina de costura antiga, piso colorido de cacos de cerâmica e ah! colcha de retalhos!

Os anos 70 eram ótimos nesse sentido. Calças usadas por soldados americanos eram vendidas na loja LIXO, que ficava na  Rua Siqueira Campos, algumas com marcas de bala ou sangue. Eram o máximo . Eu comprei uma que virou colete. Ah.. não tinha esse nome, nada era reciclado ou customizado, era , simplesmente, usado. As partes esgarçadas  cobertas por sianinhas e  lindos galões bordados.  Estantes de livros feitas com tijolos e tábuas, caixas- d`´agua ou caixotes de maçã.
Então, com  hóspede em casa, aproveito pra fazer cada dia uma comida diferente, e a fabulosa torta de legumes, por exemplo (massa feita com leite de soja, meia xícara de farinha de trigo integral, uma de farinha de trigo normal, um ovo caipira, um bom naco de aipim cozido e amassadinho e azeite , recheio com legumes da preferência cozidos  e refogados e ricota fresquinha) teve suas sobras processadas e transformadas nesses deliciosos bolinhos assados com o acréscimo de uma azeitona que fez toda a diferença.
O macarrão normal, como todo macarrão que se presa, foi transmutado  em lazanha, com fatias de queijo e  pedaços de presunto e molho de tomate,leite, forma untada ,  tudo misturado, coberto com queijo ralado.
O arroz, excelentes bolinhos. E para ajudar a descer, uma limonada linda adoçada com mel, feita com agrião! Adoro suco de agrião! Já tomou? é bater no liquidificador com água , gelo e açúcar, e com limonada também é ótimo!
Assim, a gente fica rica-rica-rica de marré deci!

3 comentários:

Chris L. disse...

Ah! Você me lembrou que minha primeira prancheta de desenho era uma porta sobre caixas d'água, que faziamos muitas coisas com jeans velhos, que minha mãe mandava roupa na costureira para reformar. Ah hoje tudo se compra novo e logo se descarta: a minha impressora "não vale a pena fazer manutenção, melhor comprar outra que é baratinho",o celular meio avariado vai direto pro lixo, mesmo que seja bem difícil achar um lixo apropriado. Mas comida não vai: uma vozinha lá no fundo repete o que minha mãe dizia: "jogar comida fora é pecado" então minhas receitas de "Réstô dontê" são um sucesso!Bj.

Luciana Luz disse...

Lixo! Eu tinha uma calça de lá. Minha avó teve um ataque, ferveu a calça mil vezes. Eu amava.
Também quis ser pobre como a Laura ou a família March.

angela disse...

Rê rê, as lauretes sabem do charme da pobreza e do reaproveitamento das sobras!!