segunda-feira, 11 de abril de 2011

Vencendo preconceitos

Coisa feia preconceito, né? Feia e boba. Às vezes má. Mas confesso ter um profundo preconceito em relação a certos alimentos.  Cuscuz, por exemplo. Nunca comi e não tenho vontade de provar.  Tanto o doce de coco com esse nome que vende nas praias de Copacabana  quanto esse de milho que junta tudo num belo bolo. 

Quando criança, também, não entendia porque Cachinhos de Ouro invadia a casa dos ursinhos e bebia TODO mingau. Ah.. Quero mingau não. E nunca comi.   (ainda tenho o livro mas não toca mais música. Meu filho melhor era uma coisa de maravilhoso contando a história, por isso guardei.  Ele dizia lindo: "cachinho de oooulo" ) 

Na realidade é um profundo preconceito: não me agrada  comida branca e mole. Pode ser branca, mas dura, assim como  torrone. Pode ser mole, como um belo pudim de leite condensado. Mas branca e mole é proibido, e não adianta querer me enganar e  colocar canela em cima.
Como toda regra tem exceção, sou a favor de pudim de claras, talvez por conta da calda, e de marshmallows. E chega!

Ultimamente houve uma coincidência em vários  blogs com receitas dessa massinha de maisena doce. Essa sobremesa rápida, de última hora, conhecida entre os chiques como panacota, mas, entre os íntimos da minha existência como  "cumbuca do diabo". Misturavam-se todas as coisas brancas e moles , e depois de cozidas ou assadas, derramava-se por cima uma lata de ameixa em calda.brrr...

Nunca provei. 
Também não gosto dessas gelatinas salgadas que chamam de musse. Preconceito total. Talvez já tenha provado alguma pra não fazer desfeita, e desfeito a coisa no prato. Não lembro.

Vou mudar, claro.Pois deve ser bom.

Por exemplo, desconfio do vegetarianismo que transforma vegetais em bife.  Tão roubando, ora! Assim não vale, não brinco mais! Se é pra comer hamburguer, coma o boi, não de soja. Trapaça total! E só provei uma vez na vida em uma escola adventista. ECA! A borracha do lápis que eu mordia no primário era mais gostosa do que aquele bife! 
Então,  vi  a salsicha vegetal. Pensei: vou comprar pra moça que não come carne.
É congelada.
Provei. Que maravilha!!!!!!!! Bom demais da conta! Ah.. É gostoso demais pra ser saudável. Não acredito na embalagem. 
Mas há um defeito horrível: depois de aberto só dura um dia. O que me dá um certo medinho.  Quanto tempo durará dentro de mim? E só li hoje a embalagem.
Enfim, a coisa é boa, sabor defumado,muito gostoso, sem colesterol.  Pena que foi pro lixo praticamente inteira no dia seguinte. Bem feito. Quem manda nunca saber onde os óculos estão? fui demorar a ler, me ferrei. Se eu soubesse onde os óculos estavam, teria lido as letras miúdas e  tirado para descongelar apenas as que seriam usadas.
Então fiz um bolo de batata perfeito!
Batatas cozidas e espremidas
Meia xícara de queijo parmesão ralado
Meio copo de leite
Duas colheres de manteiga
Uma gema de ovo
Clara em neve.
noz moscada, sal, pimenta. 
Pirex untado e forrado de farinha de rosca.
Como recheio , coloquei para o marido queijo mozarela, para a moça que não come carne, queijo mozarela e salsicha vegetal em rodinhas. Pra mim, só a salsicha.
O pirex quadrado ajudou a organização, coloquei as divisórias salsichórias por cima pra identificar as porções,pois eu e o marido temos paladar e metabolismos muito diferentes, somos que nem a família Sprat do versinho da Mother Goose  só que no inverso:

 Jack Sprat could eat no fat,
His wife could eat no lean;
And so between them both,
They licked the platter clean..

Ele não come beterraba nem pago *, eu adoro. Ele adora gorduras e ovos mexidos bem torradinhos e de granja. Não os tolero, devem ser caipiras e molengas..  Suas torradas na torradeira parecem terem saído de uma mina de carvão, enquanto as minhas são douradas. 
 Então , o jeito é traçar os limites.
 Este é o livro que tenho, e quem quiser ter  também, pois é cheio de rimas comideiras,pode baixar completinho, com ilustrações da Kate pelo projeto Gutemberg




* no início do casamento, eu não sabia que ele não comia beterraba, pior, não pode VER a beterraba na geladeira que já enjoa. Fiz uma salada caprichada pra ele levar pro trabalho, cheia de beterraba ralada crua. Não é que ele comeu tudo? o amor não é lindo? E ele comeu por amor mesmo. Nunca mais comeu de novo, claro, me avisou, e eu escondo  a safra de sua vista. E o prato fica limpinho que nem o casal da rima. E você? não come o quê?

9 comentários:

Iborcar disse...

Muito boa suas estorias...
Eu não como de jeito nenhum fígado,eca...Já tentei picadinho,no tal de sarapaté,mas não consegui,me dá arrepios!!!
Bjim,Drê

Andreza disse...

O comentario acima foi feito por mim, Drê

Kenia Bahr! disse...

Pois eu só não como de tudo pq não posso, mas meu paladar é um espetáculo! Não como tomates, espinafre e carambola, não pq eu não gosto, mas por causa do excesso de ácido oxálico. Não como frango e ovos de granja por causa da TPM. E sou alérgica a pimenta, para minha dor, mas sempre como de pouquinho, às vezes dou sorte e não me faz mal.

Ah, ontem me inspirei em vc e na Neide e fiz manteiga de amendoim, que sonho heim?

Anônimo disse...

Querida Angela to amando seu blog vc e a Neide sao iguais uma melhor que a outra , dois amores . Deixa eu te falar uma coisa se eu fizer um cuscuz paulista aposto que vc come , nao e pra me gabar nao mais sou uma cozinheira como poucas, primeiro vc comera com os olhos e depois tchantchantam vai ser um deleite, palmito,frango ou camarao, azeitonas, tomates, pimenta,uma farinha de otima qualidade,ovos e outras cozitas mas e nhac la se vai mais um preconceito......Beijos Denise desculpe minhas (tolices)

Andréa disse...

Muito legal seu post, a unica coisa que não gosto e não entra ma minha cozinha é hamburguer, tenho horror, fígado eu tbm, detesto.
Gosto muito de vir aqui no seu cantinho aprendo muito com você.

Beijinhos,
Andréa...

angela disse...

Fígado!! Terrível. Mas aí eu não gosto, não é preconceito. Nem de foi gras, nada. Há um conto divertido sobre fígado, não lembro o autor, ele meteu o bife de fígado no bolso , acharam que tinha gostado e serviram-no mais uma porção.
Denise, que bom que você está gostando! Eu amo morar no mato, é o melhor lugar que já morei, porém, acaba que fico muito só de amigas, e ganhar novas amigas , mesmo que a princípio virtuais (sim, pois vou para curitiba esse ano e vou conhecer a Gina nem que ela não queira!) é muito bom. Quem sabe se um dia não vou até o seu canto e provo essas delícias?

Chris L. disse...

Angela, Concordo: se a pessoa é vegetariana porque ficar se enganando pondo nomes de comidas que não são vegetarianas nas vegetarianas? "Bife de soja", "feijoada vegetariana" , "stroganoff vegetariano",e o cúmulo: "churrasco vegetariano"!
Ah! eu acho engraçado!Não come carne? Então inventa outro nome!
Cuscus é bom! Nem que seja o falso, bem feito é bom.
Eu não como carne vermelha, então não vale falar que detesto, então digo eu não gosto de peras. São lindas, fotogênicas, cheirosas, gostosas de pegar, amarelinhas com umas partes rubras que o sol beijou...mas por conta de um período doente na infância em que me alimentaram diariamente com suculentas peras por mais de 1 mes, não posso mais suportar o gosto: sinto enjôos. Eu compro e fico feliz vendo meus filhos comerem.

Chris L. disse...

Pensei em pre-conceito. Quais são os meus? Listras horizontais. Bolos com coberturas melecadas feitas com gordura hidrogenada. Coelho. Quer dizer: Paulo Coelho. Carro com som possante em alto volume tocando funk, pagode ou breganejo parado no sinal ao meu lado, hummm...mal sinal. Qualquer coisa com muito gorgonzola. "Refri", homem de peruca, Nuggets.
Nossa! quantos. Chega.

angela disse...

Refri é difícil.. concordo. Também não gosto de "drink" num texto na nossa língua.. dá uma certa gastura.. drink..
:-)))) Tadinhos, todos que me chamaram pra tomar um "drink" perderam a chance !:-))))))( e não souberam porquê.(sorte a deles, certamente, foram salvos da doida!) Que abuso que tenho do tal "drink" !:-))) preconceito é uma coisa estranha...