domingo, 27 de fevereiro de 2011

Transformações

É impressionante como existem programas sobre transformações. Como se ninguém estivesse satisfeito com sua aparência , vida, casa, carro. E, ao meu ver, em geral, em se tratando de beleza, juventude e cabelo, costumo preferir a aparência das mulheres anterior à tal transformação! Como as enfeiam e artificializam!

Mas a vida em si faz com que as coisas se transformem, mudem. E  sobre tal mudança leio o livro de Mil dias em Veneza de  Marlena de Blasi, uma chef e editora culinária onde conta como conheceu o italiano Fernando e, de um dia para outro, com ele se casa e vai morar em Veneza.
E tudo muda, é verdade. E,a o que parece, para melhor, pois estão juntos até hoje , vários livros escritos, casas maravilhosas etc e tal.
Em um determinado momento, a autora fala sobre sua paixão culinária e explica com as transformações de uma abóbora: com o miolo de uma abóbora de halloween, fez  vários litros de sopa (com noz moscada e conhaque) depois de jantarem  sopa  durante uma semana, tascou queijo nas sobras e ovos e a transformou em 3 enorems formas de torta salgada (imagino que tenha sido suflê)e  finalmente as sobras ao serem misturadas com ricota e queijo ralado viraram  nhoc, e suas peles alaranjaram..

O nhoque me convenceu, estou com muitas abóboras..
Bem, mas o livro está me interessando pois a história de vida da autora se assemelha assustadoramente à minha, só me falta a grana que ela ganhou .. Nunca é tarde!

Transformações.. E a moça que não come carne veio passar uns dias aqui e apresentei quase tudo que já postei: saladinhas com flores em cestinhas de queijo; torta de ricota com abobrinha e cenoura; suflê de chuchu a pedidos; macaxera amarela  e peixe, pois peixe ela come. Dessa vez caprichei  no forno pois saborosos pimentões vermelhos me visitaram a horta. As trutas descansaram em camas de cebolas, batatas e azeite cobertas por sal, pimenta do reino, lascas de pimentões e pedaços de limão .  E comemos. Mas fiz 5 trutas, sobraram duas.  E foram processadas com tudo, pimentão e batata inclusive e um pãozinho francês, mineiramente falando, pão de sal.  Bolinhas feitas , assadas no forno (já bastavam de tão boas!) e mergulhadas em pomarola..  Recomendo!!! Até pra quem não gosta de peixe!!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Desejo e mandioca

Calma.. não precisam tirar as crianças do computador.

Uma das anedotas familiares foi um trabalho escolar que tive de apresentar aos 10 anos sobre a mandioca. Eu andava pela casa com o meu cartaz procurando plateia para treinar a exposição. Ih! Lá vem a Angela com a mandioca! Durante um tempo, na família, este mote foi o nosso "asdrubal trouxe o trombone" .
Como filha de cearense e neta de baiana, aipim fazia parte do nosso dia a dia. De acordo com o livro da culinária do Paraná, mandioca é a verdadeira rainha do país.
Gilberto Freire no sensacional Casa Grande e Senzala, no capítulo sobre a contribuição indígena à nossa culinária, dedica umas 4 páginas a essa raiz.  E também relata sobre o hábito dos indígenas de comerem... Barro!

Tá explicado! Na gravidez do meu segundo filho tive um desejo incontrolável por algo que eu não sabia  o que era. Eu precisava comer o cheiro da chuva, ó que problemão! Até que , um dia, vi uns cacos de tijolo: é isso! e passei a andar com pedaços de tijolo na bolsa os mordiscando como proibidos petiscos. Veja só, eu, que me achava descendente direta de Adão e Eva, branca  ou "russa de mal pelo " do jeito que minha madrinha me chamava, descubro-me com algo de cabocla! Ninguém me segura mais! 

Se a macaxera cearense aparecia em casa na forma de farinha de mesa, diariamente, o aipim baiano era presente nos cozidos da casa da avó ou, até mesmo, como em Seara Vermelha ou Cacau de Jorge Amado, juntamente com o cafezinho.. Como sei disso? Se eu li ambos os livros? Nada, só tirando onda. Mas li e possuo o ótimo livro de sua filha A comida Baiana de Jorge Amado ou O livro de Cozinha de Pedro Archanjo com as Merendas de Dona Flor, título que , pela extensão, já deve estar no Guiness.  Excelente livro! Paloma Amado fez uma pesquisa  exaustiva da obra do pai e coletou todas as referências culinárias , assim, entremeando receita e trechos dos livros, nos oferece um  verdadeiro prazer.

E aqui, Graças ao bom Deus pai, tenho aipim, ou mandioca, ou macaxera, tirada da terra na horinha para saborear .. Mas, além do comum , encontrado em mercados e feiras , tenho do amarelo! Gente, quem não provou não sabe o que é bom! É lindo na cor, é macio, não tem aquela fibra central. Cozinha fácil, frita rápido e hummm. Dá desejo de mais! Quando a tigela chegou, senti-me como quando comia tijolo: tinha de comer! E mesmo frio, durante o dia, lá ia eu e mordiscava um, e outro.. e.. Ah! Coisa boa assim não pode engordar ou fazer mal! Como se faz? simples: primeiro há que se descascar a raiz: corta-se em pedaços, dá um talho longitudinal com a faca e a casca sai inteira. Aí, coloca na água fria com sal e ferve-se até ficar macia, rapidinho. Escorre, deixa esfriar, tira-se os fios grossos, e aí frita-se no óleo bem quente! retira-se quando estiver dourada, enxuga o óleo, salzinho e.. hum... Ó Tupã  Deus do Brasil!!

Ah! satisfazer os desejos é bom demais! por sinal, como satisfazer esse meu novo enlouquecido desejo? preciso de uma bimby urgente!! Alguém tem uma sobrando? Alguém assim, muito rico, que compra um aparelho como esse por 5  mil reais, na boa, e depois descurte? eu quero!! Não penso em outra coisa!
(Nada de tirar as crianças de perto, já disse! :-) que nome estranho, né? )

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

As Maravilhas!

Estou em estado de graça! Chegou o livro que eu estava de olho grande há tempos, mas era caro, e ninguém que eu conhecia tinha falado dele.. Mas, enfim, eu tinha de ter esse livro. Tudo a ver comigo, tudo a ver com o blog.

O autor é, simplesmente, Alexandre Dumas. Além de eu ter uma inconsciente mania de alexandre, meu padrinho foi quem me apresentou ao autor. Eu  adorava o meu padrinho! Ele fumava cigarros mentolados, costumava usar meias com cores diferente uma da outra (verde no esquerdo, azul no direito etc.) e era um genio. Um engenheiro daqueles!  Aprendeu alemão sozinho, ia ao cinema e via o filme três vezes. Quando foi para a Alemanha teve a oportunidade de testar o método: ele falava, era perfeitamente compreendido mas não entendia a resposta!
Meu padrinho me dava presentes de sonho! Casinha de boneca com luz dentro, rádio de pilha, um urso do meu tamanho.. .E nós dois gostávamos de jogos lógicos. E ele era apaixonado pelos três Mosqueteiros e por Arsene Lupin.
Tínhamos assunto! 

Recentemente, descubro que Alexandre Dumas escreveu um dicionário gastronômico! Eu me senti que nem a personagem maluca do  ótimo filme Pescador de Ilusões ao desejar as unhas pintadas: eu tinha de ter o livro! Ah.. Mas é caro.. Enfim, comprei na estante virtual, como sempre. Novinho e a metade do preço!
Pode parecer estranho mas tenho prazer em ler enciclopédias e dicionários. Desde a Barsa que ganhei em 65 e ainda tenho mas me falta a letra M (alguém tem esse volume sobrando?) o Aurélio que meu pai também me deu na mesma época, os almanaques que minha avó tinha na sua mesinha de cabeceira e o Tesouro da Juventude da minha prima Flavia. 

Com esse foi melhor ainda! Além de uma lista muito abrangente de elementos culinários, ilustrações maravilhosas de artistas geniais como Doré,  receitas muito legais e , o melhor de tudo: casos!! Histórias e mais histórias envolvendo a alimentação!
Estou feliz que nem pinto no lixo!
E inaugurei com abóbora, claro, vocês viram quantas eu tenho para dar cabo!
Como tenho hábito de ter abóboras cortadas na geladeira, em fatias para grelhar (comi tanto ano passado que fiquei com a mão amarela e juro que não fui eu!)
  usei as tais fatias.  Aferventar os pedaços de abóbora com sal. Poucos minutinhos, para ela não amolecer . Escorrer e refogar no alho, azeite , cebola e o tempero que quiser, usei Provence. Num  tabuleiro  ou pirex, cobrir com queijo ralar e levar ao forno para derreter.. HUMMMMMMMMMMM!!!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Rosa de plástico

Minha avó cega tinha o enfeite mais lindo , para mim então criancinha, do  mundo: um centro de mesa todo espetado de rosas de plástico amarelas! 
Eu achava fascinante!
Continuo curtindo coisas artificiais mas acho que está rolando um exagero..
Pronto: lá vou eu falar mal de novo!
Perdão! Mas quando gosto de algum livro ou filme eu  só digo: é bárbaro, delicioso, genial etc. Porque eu quero que vocês tenham a mesma experiência maravilhosa que tive sem eu estragar a surpresa. Já quando eu não gosto, escrevo laudas! Não só para justificar o meu desagrado como também pra encontrar eco. Outra pessoa pode não ter gostado e aí a gente fica de fofoquinha! É muito chato falar mal de alguma coisa sozinha.

Pois é, ontem vi o dvd do comer rezar e amar,Ó que droga, a única coisa que o livro tinha de bom era o fato de ter passagens muito engraçadas. O filme nem isso.
E tudo é artificial como a as rosas da casa da minha avó cega! O brasileiro é uma coisa.. Aliás, acho que o Javier Bardem vai ser o Anthony Queen do momento. Vai fazer papel de indio, grego, italiano..  Ele não acerta uma entonação brasileira. Já, estranhamente, o rapaz que faz o filho australiano solta um "eu também" perfeito!
Pra mostrar que ele é brasileiro ele cumprimenta sempre com OI.Quando fala "falsa magra" o sotaque é de português. Saudades , então..

Mas isso não é problema, não  mesmo.  Estranho foi Roma ter virado maquete e jogo de videogame e Bali ter se transformado na casa do Bambi.  E a cara da Julia Roberts está estranha.. O lábio superior ficou esquisito e uma sobrancelha diferente da outra ( tenho uma questão com sobrancelhas) Mas, até aí, tudo bem.. É filme ,Angela..dá um tempo. Mas..e as comidas? O capuccino não deu pra ver, só o mil folhas.. 
Aliás, viram o filme Banquete de Amor? Não tem nada a ver com comida, é sobre várias formas de amor e encontros e desencontros. E um dos personagens é dono de um café.. Ah.. O capuccino dele é lindo! Serve na xícara e a espuma faz um desenho. No caso acho que era um símbolo feminino.. Taí, esse é um filme ruim, acho que homem não aguenta assistir, mas as questões são interessantes. É  pretencioso, sem dúvida,  o personagem principal é Morgan Freeman mais uma vez fazendo papel de branco. Ele é o negro de plantão da cinematografia americana. O quê? Esquecemos de ter um personagem negro? Vamos ser processados! Chama o Morgan! Ele vai ser o presidente! Vai ser Deus! Vai ser o chefe! Caramba, até no Robin Hood inventaram um papel de destaque pra ele... Denzel Washington não é assim. Denzel faz papel de negro.  Também faz outros papéis mas é engajado, não fecha os olhos como se preconceito não existisse. E é lindo, né?Acho que Morgan fez o Mandela só para ser  a exceção da regra. Enfim..  Mas trabalha bem , sem dúvida alguma.  Assisti. Mas o melhor foi o primeiro capuccino. O segundo não, a xícara estava suja.

Sobre o que eu estava mesmo falando? Ah! O macarrão do filme comer amar e rezar! Não dá pra ter vontade de comer nada  com aquele filtro! Aí na foto até está bonitinho, mas no filme..  Será que os filtros estão em liquidação? Estão usando tantos filtros sépias, cinzas, verdes estranhos..  E por que será que eles tem essa mania de macarrão? Será que é considerado exótico?


Pois é, e eu tinha na geladeira um restinho de  macarrão de letrinha..acho lindo esses macarrõezinhos de estrelinhas, letrinhas, bichinhos! Sobra de um consomê da véspera.  Virou waffle! É, gostoso! Um pingo de leite, um ovo de codorna e um pouco de queijo ralado!  Já estou bolando os recheios.. Hum.. Molho de tomate, orégano, requeijão..

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Denorex total!! Que bom!

Quais as melhores coisas do mundo?
Ok, a primeira é a mesma pra todos.. mas, e a segunda? chocolate?
Deve ser. OOO coisa boa! Mas, buáaa! não posso mais comer chocolate. Sou enxaquecada e basta uma colher de sorvete, ou um nada de chocolate que, no dia seguinte, tóin! tóin!
Quem é que não gostaria de viver numa chocolateria e ter tantas histórias para contar como no maravihoso livro Chocolate de Joanne Harris?
Por sinal, pouca semelhança com o filme , achei uma pena a Record ter trocado a capa original e colocado a foto do filme, nada a ver. Inclusive o personagem do Jonny Depp nem existe no livro. Rola um cigano mas não é ele.

E estou bem melhor, graças ao sumax e nebilet. Mas aí, leio em um de seus fabulosos blogs (vocês são demais!!) um bolo de alfarroba. Sei lá o que é isso. Coisa árabe, certamente, com esse al.. E fui pesquisar..
PARECE!! mas não é.
Mas é uma delícia!
encomendei aqui o achocolatado, os damascos e uma barra( pois acho que a autora do blog usou a barra em uma coisa deliciosa que fez, uma torta.. humm)
 E chegaram hoje!! O site funciona!! (Ah! comprei também um suco de cramberry.. tô com tudo e estou prosa!)
Fui logo mordendo o damasco coberto com alfarroba.. delícia!!! O gosto é estranho, não é chocolate, mas é como se tivesse um pouco e várias especiarias ao mesmo tempo. E, o mais bacana de tudo é que em ler os benefícios que a coisa nos dá a gente já fica boa. Abaixa o colesterol, faz bem a tudo, deve até trazer a pessoa amada em 7 dias.
E não é caro, pois , segundo está escrito, a gente pega qualquer receita e substitui onde estiver escrito chocolate por alfarroba só que A METADE ! não fica tão caro.
E quis testar.. há quanto tempo eu não tomava um leite com achocolatado! fiz com o pó de alfarroba. ótimo!
E, agoniada, apressada, fiz um bolo de caneca light. 1 ovo pequeno, uma colher de farinha de trigo;uma colher rasíssima de adoçante culinário low sugar, uma tampa de óleo de canola, uma colherzinha-zinha de fermento em pó, uma colher de leite desnatado,uma colher rasa de alfarroba em pó. Bati tudo com garfo, bem espumante  e coloquei na caneca por 3 minutos no microodas. Mas acho que pode ser menos. A parte debaixo ficou biscoito! delícia de tudo. Agora fico imaginando variações maravilhosas!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Hoje é domingo Pé de Cachimbo!

Quando criança achava que era assim o versinho: hoje é domingo, pé de cachimbo, cachimbo é de ouro.. E , embora causasse espécie, cachimbo era uma coisa corriqueira na minha vida, a cozinheira fumava cachimbo. Meu tio mais velho fumava cachimbo. E eu achava que a forma do cachimbo deveria lembrar a forma de um pé.  
Pois é, a gente erra. Recentemente é que me dei conta do erro: hoje é domingo PEDE cachimbo. Ah bom.

Errei ao comprar o livro Amei, perdi e fiz espaguete. Pois  o título basta. É só isso mesmo. A mulher amou, perdeu e fez espaguete. FIM.

Tudo bem, eu alugo meu ouvido para as crises amorosas dos meus amigos porque eu os amo, quero bem! Mas comprar um livro em que uma mulher conta que insistiu em ficar com um cara ele era um chato e ela chorou e "será que fiz bem? Aí ele disse isso .. O que será que ele quis dizer?" Fala sério.. Ninguém merece, só  mesmo de quem a gente ama, tem um passado, uma história..
Fiquei com a impressão de que a autora deva ser uma chata já que ela é tão bonitinha e tem uma cara tão simpática! Dá vontade de ser amiga dela, mas não quando se lê o livro.  Afinal o livro é chato, pulei todas as páginas que me permiti, dei por lido e marquei poucas receitas, pois a maioria delas é de espaguete e quem não sabe que macarrão fica bom com tudo? Só se for novidade pra americano, mas pra gente que tem macarrão na merenda escolar.. Pf! Figurinha fácil do álbum. O lance do macarrão é o ponto e a qualidade da massa. Mas, em geral , temos boas. 

Não tão boas quanto as feitas em casa, como essa que fiz, mas em geral, dá-se um jeito. Realmente, em 6 meses de EUA não comi UM macarrão sequer.  Vai ver que lá seja novidade usar rúcula, por exemplo, coisa que aqui tenho com facilidade.

Ela ter publicado o livro é compreensível: trabalha em uma editora. Mas.. Ser traduzida? Um mistério! Vocês também não ficam invocados quando ouvem músicas horríveis , vozes horríveis nas rádios e conhecem pessoalmente, em seus círculos , gente de muito talento? Pois é.  Certas publicações são misteriosas.

Mas há algumas receitas que podem ser interessante.. Dão idéias.  Ela apresenta várias opções de macarrão, lembra-me aquele amigo  Bubba do Forest Gump falando sobre camarão.. Adoro esse filme! E uma delas é macarrão com abobrinha.

Nunca comi macarrão com abobrinha, não tenho vontade, mas tinha abobrinha na geladeira, adoro!  Quando em época de safra, preparo grande quantidade em conserva e como quase que diariamente.  E esse prato  não há quem goste.
Primeiro, rala-se uma abobrinha, uma cenoura grande ou duas pequenas, meia cebola. Por sinal, estou precisando de um ralador novo. Este meu já tem 8 anos, está meio folgado, me dando trabalho. Os comuns não são bons para mim: ralo meus dedos sempre!  E esse era bem legal, politicamente correto, sem eletricidade.
Então, assim ralados, são refogados com azeite e sal a gosto.

Depois de murcharem um pouco, misture neles meia ricota, é o suficiente. Deve estar sempre bom, prove e veja se está bom. Tem que estar.

Aí, forre um pirex com um quarto de ricota e duas colheres de farinha. Pode colocar uma de farinha integral e uma de farinha comum, no caso duas de farinha de trigo. Essa massa fica deliciosa!

Aí, recheie, salpique queijo parmesão ralado e uns 35 minutos de forno , talvez menos.  É bom demais, e light!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Turistando, trotando, aqui tem truta!

Moro em uma mínima cidade chamada Itamonte. Ita, pedra em tupi guarani, e monte é monte de mesmo. Há uma bela pedra na região, chama-se Picuzinho.
Não, não precisam tirar as crianças do computador, é o nome da pedra.
A cidade, na realidade , consta de umas 3 ruas de comércio. Há supermercado,não com delicadezas e modernidades. E  na maioria das vezes, a gente adora um produto e o dito nunca mais aparece nas prateleiras.

Assim é que é bom. Há outro tempo. Tempo da espera, do crescimento, sem pressa. A bateria do seu carro pifou? Quer outra? Tá bom. Daqui a duas semanas chegará uma. UMA.Eu disse UMA.

O interessante é que as coisas se vendem nos lugares mais ímpares.  O Cesar Maia iria adorar! Lembram quando ele entrou em um açougue no Rio e pediu um sorvete? Pois é. Aqui ele encontraria.
Seguem algumas fotos. O álbum completo está aqui. 




 E como havemos trutas, as tenho constantemente no freezer. Congeladas, prontas para qualquer emergência. Muitas vezes são fritas , mas.. Ah! Saúde , idade, sódio, medo.. Então, em geral, coloco cebolas e azeite no tabuleiro. Seguem os filés de truta congelados mesmos, salgados, temperados do jeito que der. Pimenta do reino, dukkah ( comprei em SP essa mistura), o que quiser. A da direita está vermelhinha pois tentei o UMEZUKE, afinal,eu tenho de descobrir para que essa coisa serve!
Depois, papel laminado por cima, uns 20 minutos de forno. Tiro o papel e deixo mais um pouco. Gosto de tostadinha.. Pode acrescentar limão ( O ume não bastou!) e é uma delícia saudável , rápida! Claro que umas amendoas ( de preferência "finamente fatiadas" - adoro essa expressão, apesar de eu NUNCA conseguir fatiar uma amendoa, em geral soco, brigo com elas, acho lindo e delicioso quando as como) tostadinhas no azeite por cima.. Ummmmhhhh!! EITA TREM BÃO! 
O inhame é da casa, tirado da terra no dia, cozido e depois grelhado.
E, passeando por aqui,  apareçam para um cafezinho! Qual o meu endereço? Perguntem a qualquer um na cidade. Onde mora a carioca assim assado? Alguém vai dizer!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Zabumba bumba esquisito

Como diz Alceu Valença, coração bobo, coração balão, zabumba bumba esquisito , pipoca dentro do peito. Poderia ser biscoita dentro do peito..

Vocês conhecem a Laura Ingalls? Ah! já falei sobre ela! Claro, sou uma fã incontrolável. Pois bem, além dos livros da própria Laura tenho o máximo que consigo de coisas sobre a Laura.

Em Uma casa na campina, Laura e sua irmã Mary ganham de presentes um "bolo em forma de coração". E aqui eu peço ajuda aos universitários, pois, apesar de ter morado lá em cima, tenho várias questões quanto às traduções de nomes culinários, sejam bolos, pães, biscoitos.. Cookie, biscuits, gingerbread, cake.. Então, era "cake" mas em forma de coração. Sempre achei que era um bolo.

Porém, o livro sobre o mundo de  Laura que traz a receita do raio do cake, para mim, traz  receita de massa podre com açúcar. Aí vem minha segunda questão para quais peço ajuda: granulate sugar. 
É açúcar cristal? Sim, quando eu morei lá havia açúcar cristal. Não havia o refinado brasileiro. Ou será de confeiteiro?
Então, como estou promovendo um concurso, preparei para a vencedora um "cake" de coração. Mas, caramba! a receita é de biscoito!
uma xíc e meia de farinha de trigo ( all purpose é o quê? é trigo comum, não?)
duas colheres de açucar cristal (granulated?)
duas de manteiga
uma colherzinha de baunilha..
Bater primeiro a manteiga com o açucar e a baunilha. Perfeito! ficou igual à descrição, branca, linda. Lá vai a farinha..
Pronto. Não rolou conforme eu havia previsto, parece massa de empada, impossível de esticar. Tasquei um ovo. Legal, mesmo assim.. ah.. falta maizena.. Um colherão de maizena.. e ah.. porque SEMPRE minha massa fica quebradiça? seja pão, empada, biscoito, nunca consigo que ela fique realmente elástica, nem pra fazer bonequinho de biscuit, racha, tento emendar, a marca está lá.. desde as massinhas de modelar da infância.. o que faço errado?
Bem, achei que precisava de água, molhei a mão pra amassar e, de resto, fiz como o combinado: rolo , corações com o cortador de biscoito, borrifei açúcar cristal, 20 min de forno em "baking paper" papel manteiga, né? mas.. preciso untar? não sei, untei. Ó! tantas dúvidas!
Quando saiu, mais um pouquinho de açúcar cristal.. sim, brilhava como a descrição do livro "sobre sua delicada superfície marrom havia açúcar banco salpicado. Os grãos faiscantes pareciam pequeninas gotas de neve. Os bolos eram bonitos demais  para comer" mas não parecia neve, então , coloquei o açúcar de confeiteiro..
Acho que não tem nada a ver com o que ocorreu com Laura, acho que ela ganhou bolo mesmo, pois ela fica impressionada em ver que eram brancos internamente. Acho que a autora do livro da receita me enganou.. Ah! Mas quem se importa?
E aí? Aceita um cafezinho com biscoito? Sim! que bom! aproveita e me explica a lista de açúcares que existem! (brown sugar etc)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sabores variados

Às vezes fantasio ter uma casa de lanche. Mais um café. Um lugar charmoso onde houvesse um pouso. Uma estante de livros, mesas com toalhas xadrez vermelho e branco,  flores no centro, móveis de madeira,nada de  cadeiras plásticas. Um eterno cheiro de café no ponto, um bolo, um salgado de forno, um suco, água mineral.  Uma música suave no fundo.  Que bolo? Cada dia um diferente. Talvez uns produtos de lembrança, de venda. Aquarelas com a paisagem daqui. Geléias caseiras.
Mas é fantasia.
O importante é que não haveria receita, mais ou menos como o restaurante da protagonista do livro Escola de Sabores. Gostoso livrinho. Daria um filme bem simpático.  O livro, na realidade, é uma desculpa para receitas e vários contos. Pois uma mulher tem um restaurante onde "nunca nada saía como planejado. O cardápio mudava sem aviso prévio perturbando os que ansiavam por familiaridade" . E é possível. Uma vez, a gracinha do Oliver Twist esteve em uma ilha na Itália onde o cardápio era decidido no dia, de acordo com o que os pescadores tinham conseguido. E o restaurante só abria à noite, para uma única leva.  Gosto da idéia.Ah! e ela começou a cozinhar para atrair a mãe, que vivia no mundo das leituras.
Mas, por outro lado, como é difícil agradar a várias pessoas! Se eu e o marido já discordamos.. Só dois! Eu gosto de tudo o que é crocante, sequinho, torrado, aromático.. E ele, de tudo o que for gorduroso, cremoso, úmido, molhado.
Já viu..
Então, lá vou eu enfrentar o frango e abóbora, assim como um dos pratos do livro. A doçura da abóbora combina com sal do frango. No livro, ela propõe ravioli de abóbora com peito de peru.. Hum... Deve ser bom!
Pego o peito de frango, que já está no alho , sal e vinagre há um dia , e dou uma dourada nele no azeite.  Mas antes, abro o tal UME, a tal conserva de ameixa japonsa.   Nunca tinha comido. Caraca! Tem gosto de limão com sal! Apenas isso. Maior decepção!
Então, parti as ameixas e as esfreguei nos frangos, o que os deixou bem rosinhas. Depois, água  e deixo cozinhar. E começo a provar, acertar o sal.. E lá vai o shoyo!
E o danado do frango continuava duro.. Então, suco de maracujá!
Mas continuou duro, droga. Foi para a panela de pressão acompanhando de passas brancas por dez minutos. AH! Agora sim! Delícia!Ah, mas amendoas sempre caem bem! Elá vão elas torradinhas no azeite!
Enquanto isso, o suflê de abóbora disfarçado, pois dei uma fritada na abóbora no azeite, depois bati no liquidificador com a gema, meio copo de leite desnatado, uma pitada de sal, uma boa fatia de queijo de minas, uma colher de manteiga derretida, duas colheres de farinha de trigo, nóz moscada. Acrescentei a clara em neve e o depositei juntamente com umas cebolas douradas na forma untada e com farinha de rosca.Por cima, pouquíssimo queijo ralado.
Adorei!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Quando tudo dá errado às vezes dá certo


Positivamente, querer não é poder. Principalmente nas artes. E gostar, muito menos é saber! Ah.. Quanto sofrimento já passei  ouvindo "gritantes" que acham que são cantoras! Ah..mas tudo pela arte!
Tenho uma amiga querida que acha que sabe cozinhar. Adora comer e come praticamente de tudo. E acha que sabe cozinhar, tadinha. E é feliz achando. Não dá pra tomar nem o café com leite que ela mistura.
Espero não ser assim. Muitas vezes não dá certo, é verdade. Recentemente, por exemplo, alojei-me na casa de um casal e, para retribuir, preparei joelho, aquele pão com queijo e presunto que não pode dar errado. Pois é, errado não deu, mas também não deu certo.  Eu fiquei grilada.. Será  minha boca? Será a temperatura? Bem, mas a gente tem que ajudar. E o marido hospedeiro chegou cansado do trabalho, ia pra rua comer, coitado! Na mesma hora  prontifiquei-me a preparar algo. Abri o armário, e casal jovem não tem nada em casa, mas achei um macarrão integral, e pronto, também não podia dar errado.
Ó, ele comeu, mas talvez fosse fome. Talvez fosse apenas bem educado. O macarrão estava no ponto, o presunto era cortadinho, mas não ficou gostoso.

Agora mesmo li um livro inteirinho (li por três  motivos: a- tem letra eu leio. b- era pequeno. c- o tema comida me interessa sempre há uma esperança) bonitinho, mas a capa me confunde com o Pequeno Príncipe, o tipo de letra , sei lá. Comecei a ler.. Caraca! Como alguém pode escrever tanto sobre nada? Fui ver quem era o autor. Ah bom. Era uma moça de 25 anos. Entendi tudo. Muito jovem. Certo, Castro Alves tinha 23, exceções existem. E já é o seu segundo livro, segundo a orelha, sendo o primeiro já traduzido em duas línguas e de poesia..sei lá, talvez em inglês e espanhol fique melhor. Dá pra ver que ela leu, que tem boa intenção. Talvez seja fã de Manuel de Barros.  E resolve frases com coisas bonitinhas como "até que a sopa tenha gosto de céu estrelado". Só socando.  E há erros ortográficos  no texto. Enfim. Mas é bonitinho.Tem receitas nele, coisas que nem essa que vou postar hoje, que todo mundo já sabe. Enfim, gostar de escrever não quer dizer que a pessoa saiba escrever. Enfim.. Mas é jovem, talvez um dia com vivência, experiência, aprenda que escrever não é música tem que se ter o que dizer, aprofundar. Enfim.... não gosto de falar mal. Mas a pior coisa que tem é algo ruim com aparência de bom pois confunde os incautos. 
Enfim...
E uns novos amigos vinham passar uns dias! Não os conhecia ainda, perguntei ao telefone se havia alguma restrição alimentar, a resposta foi negativa. Como não os conhecia, decidi pelo brasileiríssimo feijão com arroz . Farofa, carne assada, salada..  Adoraram!
Mas... A moça não comia carne. O moço não comia nem farinha nem açúcar..
Enfim...

Então, no dia seguinte, corri para uma torta de alho porro para a moça! O rapaz pode comer só o recheio! E ambos ,como eu, tomam suco verde pela amanhã! Adoraram as flores, a abóbora torradinha.. Ufa! O erro deu certo!
Ah! Sim, a receita da carne assada!
Ué, Angela, todomundo sabe fazer carne assada. Pois eu não sabia, procurei auxílio na internet quando comecei e agora é a única carne que eu como e a única que gosto no mundo todo :-)
Da noite pro dia fica lá, na geladeira, cercada de sabores e matos e coisas. O quê? O que tiver. Sal, bastante  Ih! Já contei isso aqui!
Mas não coloco mais nem linguiça nem cenoura, pois os convivas acabam sempre retirando a cenoura e colocando no canto do prato.  Me dá uma raiva...  
Então é isso, primeiro douro a carne num panelão , no óleo (ou manteiga, ou margarina) e no alho. Quando está bem douradinha, enchode água e fica lá, horas cozinhando. Quando fica macia, aí é que vai para o forno! E vou regando com aquele mundão de molho delicioso que ficou na panela! Depois é cortar fininha. 
Com o que sobra na assadeira, uma farofa com umas rodinhas de banana.. fala sério! deu certo! 

Em......... FIM!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Todo Santo Dia


Comida é coisa diária, três vezes ao dia ainda por cima! E seres humanos não aguentam comer apenas a mesma ração pro resto da vida. Além de variar, queremos sal e doce.
Aqui, não somos muito de doce. Eu gosto mais do que todos da família, e, mesmo assim, nada muito cremoso, com ovos ou com muito açúcar. Aprendi na infancia a comer melado com farinha, mas, no fundo, o que eu gostava era de derramar o fio do melado no prato formando nomes, estrelas. Goiabada com queijo também era bom. E outras poucas coisas.
Mas, em compensação, adoro livros sobre doces! Eles me remetem à casa de doces do Joãozinho e Maria, coisa que fiz no aniversário do filho.
Então, estava curtindo o por do sol na varanda nova em folha quando um fdp de um mosquito mordeu a sola do meu pé. Fala sério! Na sola do pé é covardia. Não adianta coçar pois, se coçar demais faz cosquinha! Afinal, pra quê existem mosquitos? E a coceira não passa, é daqueles que deixa um mínimo círculo de sangue.. Será que existe Santo padroeiro de mordida de mosquito? Tem pra tudo! Fui procurar.

Um dos livros que mais gosto é o Santa Receitas, de Sonia Abraao. Tomei o maior susto quando vi na livraria do aeroporto! Se fosse jogo de acertar, eu diria sem titubear que Sonia  era judia.  Tanto o sobrenome quanto as feições me traíram.
E o livro é um deslumbre! A capa cheia de santinhos, aqueles santinhos que as freiras nos presenteavam e a gente comparava, contando as estrelinhas que haviam no fundo, as rosas, os carneirinhos. No verso, os doces. Lindos! Outro susto: nunca imaginei que, em sendo católica, fosse fervorosa a ponto de um padre prefaciar. Só a vejo na tv no zapeado, e sempre fofocando sobre a vida alheia, nada muito compadecido. Enfim.. O livro é bárbaro. Traz receitas, orações, histórias. Talvez inventadas mas valem a pena. Além de ser um enfeite.
É, mas não havia nenhum santo para hoje e estou com uma vontade de comer doce...
Vou então no Dicionário de santos Oxford e descubro que hoje é dia de santa Brígida da Irlanda (Ó! Outro sinal!), a padroeira do queijo, das mulheres leiteiras , embora haja controvérsias sobre sua existência, entre seus milagres há a multiplicação da comida! E não qualquer uma: manteiga aos pobres e até sua água do banho era transformada em..... CERVEJA!
Enfim, existindo ou não, ganhou uma fã. 


Mas o doce que decido fazer a homenageá-la não leva leite. É um dos meus prediletos, e meio que inventado por mim.  Tenho muita cidra no pomar e odeio o doce de cidra tradicional,um verde e muito doce. E cidra, até o o que sei, só serve para isso.  Se já me dói desperdiçar o mundão de fruta, imagine toda! Então, pego só as bem amarelas e procedo como manda o figurino: raspo a casca , tiro o miolo,  e  ralo a parte branca. Aí, coloco na água, trocando a água pelo menos uma vez ao dia durante três dias.
Depois, é fogo brando, duas colheradas de açúcar  e uns paus de canela até o ponto que.... O ponto que eu acho que tá bom.  Caso a água tenha lavado demais o sabor, acrescento o suco de laranja ou limão, ou o que tiver cítrico. E também um pouco de água. A textura é como coco ralado.
Aí sim, Viva Santa Brígida! Um belo pedaço de queijo de minas pra comer junto!
A propósito: não achei Santo pra mordida de mosquito mas achei pra abelha: Santo Ambrósio, São Bernardo e São Modomnoc