sexta-feira, 29 de abril de 2011

Vou ali e volto já!



O título desse meu livro já diz, Vou ali e volto já! Acho que não vou postar nada ateeeeeeéee dia sete, não sei. Então, enquanto isso, só um lembrete, um conselho,um quem avisa amigo é...
Não dá pra fazer biscoito em microondas!
e até breve!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Era uma vez uma bananeira

Era uma vez uma bananeira
Que nasceu toda faceira,
Lá no canto do pomar
Seu crescimento foi normal
 todo verde e amarelo
Como a bandeira nacional

Assim que ficou bem grande
Folhas se abriram em par
Já fornecendo sombra
Para quem fosse passar
 
Que susto, meu deus, que é isso?
Um rabo , uma corda , uma linha?
Um peixe só com espinha?
Ah! É seu cacho brotando!
E na ponta um coração
Uma gota, que emoção!

Com seus frutos engordando
Voando naquela altura
Um bem-te-vi teve a ideia
De fazer seu ninho na cobertura

XÕ passarinho , aí não!
Voe para outras paragens
Deixe o cacho sossegado
Faça o ninho nas folhagens.

Enquanto isso, o coração
Ou sei lá que aquilo fosse
Não me parecia doce
Mas exercia grande atração
A um beija-flor  colorido
Que de tres em tres minutos
Dava-lhe um beijo seduzido.


Seus frutos já gordos e fortes
Atrairam um tucano guloso
Enfiava-os inteiro no bico
Achando tudo bem gostoso

Xõ tucano bicudo!
Voe pra longe, lá pra cima
Deixe em paz a minha menina!
Seu tucano abelhudo!


O cacho agora protegido
Poderia crescer em paz
Um dos frutos amarelou
E um passarinho o bicou

Agora seu coração foi cortado
E bem lavado, fatiado
Com cuidado pra não sujar
a roupa, a mão e tal
E outros tantos temperos
Um gostoso festival
Desabores e cheiros!

O cacho estava prontinho!
E com um machado  afiado
 o tronco foi cortado
E o cacho ficou no quentinho

Algumas bananas verdes
Foram pra panela de pressão
Ficaram lá 20 minutos
Bem cozidas , um montão
Descascadas , quentes e macias
Já pro liquidificador
Aquela polpa verde e rosa
Virou uma massa poderosa
Participando de bolos e biscoitos
Sucos; doces e salgados
Confesso que alguns  bem queimados

Enquanto isso, as amarelas
Eram assim saboreadas
Descascadas e comidas
Sem açúcar, sem mais nada

Umas pintas pretas surgiram
E lá foram  para a panela
Doces , bolos e tortas
Nada melhor do que ela!
E banana na farofa, no arroz e no biscoito
A receita de tantas gostosuras
Aos poucos escreverei
Não sou mulher de usuras
O que deu certo dividirei!




Ah! Ainda há bananas maduras
Que pecado jogar fora!
Vão todas para a secadora
Com um pouquinho de limão
Agora que beleza,  bala douradas de banana
Pra comer vendo televisão

E o caule? E as folhas?
As folhas da bananeira
Embrulharam peixes, forraram mesas
Enquanto seus frutos eram sobremesa

O caule depois de seco
Deu uma palha boa
Trançada e presas de jeito
Surgiu um chapeu perfeito

O restinho do tronco no chão
Depois de bem cavado
E por pouco tempo tampado
Guardou um suco especial
Um tônico para os cabelos
Nunca se viu nada igual

E foi assim o fim da bananeira...
Mas , espere.. Não acabou a brincadeira!
Do seu lado, que surpresa!
Nasce, outra que  beleza!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ai laik poteitos iu laik potatos

OO coisa boa essa música antiga! Mas eu gosto de batata, papa, potato, como quiser!
E fiz uma pra escolher, diferente!  Descascar as batatas e cortar todas fininhas na .. (vou tirar onda, aprendi HOJE essa palavra em um dos blogs de vocês e já vou usar) no mandolina. Agora esnobei!  Nada de cortador de legumes, aprendi aqui. Tenho um,mas de 1,99, o protetor de dedo não enfia na batata nem por um decreto!
Continuando, vá cortando a batata ,quanto quiser, bem fininha, aí, pega um pirex , forra com papel manteiga, e unta com manteiga ou margarina e vá forrando o pirex com a batata fininha.
Agora vem a diversão: salpique sal, faça mais uma camada de batata, coloque , digamos, raspas de limão e sal, e mais uma camada das batatas, e noz moscada, ou pimenta, ou orégano, queijo ralado! o que bem sonhar  e de tudo, um tempero, uma camada de batata fininha. Quando achar que chega, derrame um pouco de leite, cubra com papel aluminio e leve ao forno por uns 20 minutos. Tire o papel e mantenha no forno por mais 20 minutos!
Uma potEIto diferente e muuito legal, e surpreendente!! A foto não está legal, veja, tasquei cebola em cima, ficou ótimo!

Aí, terminei de ler, este sim!! o ótimo livro de Ruth Reichl, ah.. esse é bom, pois trata da vida dela como crítica de gastronomia, tudo a ver. Receitas e curiosidade novaiorquinas . O grande barato é que ela vai aos restaurantes disfarçada, inventa personalidades, e vê como as aparências ditam o tratamento. Quando vai de "Brenda" o mundo sorri para ela. Já "Evelyn" não tem a mesma sorte. Acredito que eu já tenha sido uma Brenda, não na altura dos saltos, mas um pouco ruiva de nascença, falo mais do que devia, deixando filhos meio envergonhados mas o mundo , gosto de imaginar, um pouco mais simpático. Agora não, pois o mundo não é muito legal às pessoas de cabelos brancos sem maquiagem. Mas, como desde cedo eu decidi que seria uma velha ridícula, não tô nem aí.

Uma das receitas apresentadas no livro é de batata , e que batata! peraí que tem nome, vou pegar o  livro pra achar.. peraí.. só um pouquinho... já volto!



Voltei! demorei porque tinha de dar comida para  os cachorros e tenho de escrever rápido porque daqui a pouco a menina chega da escolinha pra lanchar comigo!ontem ela veio de máscara de coelho!
Então, o nome é hash brown! a receita é enorme,porque tem etapas, mas o marido amou.
8 batatas pequenas cozidas,
6 colh de manteiga sem sal
meia cebola fatiada
sal e pimenta, sal grosso pra colocar por cima.
Espere esfriar as batatas, não devem estar muuuito cozidas, só um pouco, aí descasque e cort em quadradinhos.
Derreta a manteiga (aqui ela manda em frigideira de ferro,não tenho, ferrei-me!) , remova um pouco dela e reserve, coloque as batatas formando um bolo e pressione com uma espátula. Deixe em fogo médio por 6 minutos, até forma uma crosta queimada e fica pressionando e descolando ao mesmo tempo.
espalhe as cebolas por cima com sal e pimenta, tira a frigideira do fogo e cubra com um prato grande e deixe por dois minutos..
Coloque luvas e inverta, deixe o bolo de batata cair no prato.. ah, reze antes pra ele cair inteiro.
Coloque de volta na frigideira que já está com a manteiga derretida, mas com o lado da cebola pra baixo. e deixe mais 5 minutos.
Agora sim, deslize pro prato de servir com sal grosso por cima!
Fica booom! se vale o trabalho? ah.. um pouco, e é potAto!!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sou rica , rica rica de marré deci!

Eu devia falar sobre coelhos,páscoa , chocolate, mas uma urgência apareceu: saúde da pequena menina. 



Bem, minhas manhãs são alimentares: preparo alimento de marido e alimento cachorro, passarinho, plantinha e minhoca



Agora, às tardes também o são, pois, além de regar a hortinha de temperos e dar a refeição principal dos cachorros, a menina pequena vem lanchar comigo. Durante o  lanche, falamos de assuntos variados: como foi a escolinha, o que é o dia do Indio, cores e céus.  Isso porque  a menina,que já não era de comer,parou quase completamente: uma gripe forte a abalou. Falei para a mãe que, então, devia dar alimentos fortes, como fígado.. Mas a mãe foi peremptória: -Ela não come fígado de jeito nenhum, odeia o cheiro.
Fiquei quieta, pois também odeio a coisa, sempre odiei. Eu e a Andrea, né? Qualquer tipo. Até o chique foie gras, tô fora. 
Mas, fiz que nem a companheira que acompanha da canção do Tatit:
Me viu pensando, quis pensar junto
"pensar é um ato tão particular do indivíduo"
E ela, na hora "particular, é? duvido"
Não come é? duvido.
Fritei um pequeno bife de fígado no azeite e sal, em tirinhas, com cebola. Um pingo de mostarda,tirinhas de presunto e bati tudo, como um patê. Coloquei de recheio em fatias macias de pães-de-forma recortados em estrelas, com cortadores de biscoito. Fiz um céu no prato. Pequenos sanduiches de estrela, uns de fígado outros de gema de ovo. Conversamos sobre céu, se era a primeira vez que comia estrelas, qual o gosto das estrelas:
- Essa é de carninha, né tia? A outra é de manteiga..
- Qual você gosta mais?
- A de carninha...
Rá!
E assim foi o primeiro dia.
Comida de criança tem que ser que nem de princesa ! Como as do Rei Sol, como se Vatel fosse o encarregado !  As crianças não sentem como a gente, para elas tudo é novidade, o que, por um lado, as deixa abertas para aceitar o desconhecido, já que ele se apresenta diarimente, por outro, sua sensibilidade inaugural também é suscetível a texturas, caretas dos pais  e preconceitos. Se isso acontece com crianças que chamamos de "normais", imagine com as crianças que tem necessidades especiais! No meu livro Rodas pra que te quero, onde, juntamente com a inspiradora Marcela Cálamo, contamos suas experiências como criança cadeirante, Tchela, a protagonista, lidera um motim contra o pirão de peixe do colégio. O livro João Agitadão, de Lia de Paula, também inspirado pela realidade de uma criança hiperativa, mostra como a criança , em sua agitação, pode comer com uma lentidão aparentemente incompatível ou mesmo não reparar quando derruba a comida do prato e se espantar , como o o perguntador de "cadê o bolinho que estava aqui? o gato comeu" 


 
Assim, no segundo dia, a menina veio e comemos um coelhinho da Páscoa( ufa! consegui enfiar a Páscoa no post!) 
Bem, pelo menos nos pareceu um coelhinho ! ovinhos de codorna e maçãs. E conversamos sobre lebres e coelhos  e ovos e galinhas.
Assim foi o segundo dia.

No terceiro dia, lembrei do Rei Sol. Ah! como é bom comer coisas bonitas! Rei é coisa de fartura e de beleza. O livro do Rei Bigodeira em sua banheira é excelente!( O rei, e aqui pra nós que ele não nos ouça, me lembra um pouco o marido. )Então, nesse dia,ele não saiu da banheira, pra nada. Até o banquete foi na banheira! Enquanto isso, em Versailles, no ótimo livro-jogo Le Palais aus 100 festins, os banquetes são preparados. Vemos a trabalheira toda, o fogo na cozinha, a colheita de frutas, a fuga das galinhas. 
Então, depois de termos comido as estrelas, era dia de comer o sol. A mãe dizia que a menina não comia  geleia de mocotó de jeito nenhum.. não come? duvido! Banana prata amassada com geleia de mocotó Imbasa , detalhes em ameixa preta! 
Prato raspado. E assim foi o terceiro dia.
Faltava o arco-iris. Já viram as belezas que fazem hoje em dia com gelatina? Essas são da loja canela bakery, no youtube há vários videos ensinando a fazer. 
Quando criança, meu pai criava um minúsculo mundo de miolo de pão pra mim! eram pássaros e rosas que saíam de suas habilidosas mãos. Minha avó, modelava o feijão com arroz em forma de Pato Donald e eu ia comendo o bico, o chapéu..
Então, foi a vez de comer arco-íris! Comprei todas as cores de gelatina, basta fazer uma de cada vez, esperar endurecer, colocar a outra cor. Levou um dia pra ficar pronta. A árvore de uvas verdes, caule de banana, nuvens de maçã. Aí, conversamos sobre as cores, dei lápis de cor e ela descobriu que o verde poderia ser criado a partir da mistura do azul e do amarelo! E um mundo de cores se abriu.
  E assim passou o quarto dia.

Feriados, a menina não virá lanchar , então, como os reis e suas esculturas, entreguei a ela o almoço de hoje, não tão sofisticado como os bento box art (imagem tirada daqui) já que não temos os cortadores adequados, mas tão divertida quanto!






Feijão preto, arroz para o rosto. Ovo de codorna e feijão para os olhos. Nariz de ameixa. Língua de beterraba, gravata de batata baroa(batata salsa ou mandioquinha) contorno de peito de frango, tudo sobre uma farofa de farinha de mesa (ou farinha de mandioca) e cenoura ralada.
E assim foi o dia de hoje e a menina comeu tudo! como a beleza dos ricos!!
                             Feliz Páscoa a todos!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pobre pobre pobre de marré deci

Estou na moda. Sempre reciclei só que não tinha esse nome. A verdade é que o meu maior sonho quando criança era ser pobre. Sério. Por exemplo, a Cinderella é  muito mais interessante enquanto pobre. Depois a gente não sabe o que acontece com ela. Laura Ingalls, então, nem se fala! Ah! brincar de bonecas de papel feitas com restos de papel, colorir com barbante as folhas para fazer papel de presente.. por sinal, quando criança, toda casa tinha uma gaveta com papéis de presente pra reutilizar. Sem contar com um armarinho cheio de papel de pão, barbantes usados e vidros de geleia.
É ser pobre era mais divertido. Adorava bonecas de papel baratinhas, compradas em banca ou desenhadas em casa mesmo. (adoro até hoje, cato tudo que vejo na rede) Ser pobre era mais criativo, tudo tinha de ser feito, sem contar que , na literatura, todos os pobres eram muito mais legais, solidários, virtuosos.
Assim eu mesma fazia minhas casinhas. Ainda, as  férias prediletas se davam na casa da Tia Julieta , casa construída com material de demolição, luminária feita a partir de uma gaiola velha pintada, mesa de pé de máquina de costura antiga, piso colorido de cacos de cerâmica e ah! colcha de retalhos!

Os anos 70 eram ótimos nesse sentido. Calças usadas por soldados americanos eram vendidas na loja LIXO, que ficava na  Rua Siqueira Campos, algumas com marcas de bala ou sangue. Eram o máximo . Eu comprei uma que virou colete. Ah.. não tinha esse nome, nada era reciclado ou customizado, era , simplesmente, usado. As partes esgarçadas  cobertas por sianinhas e  lindos galões bordados.  Estantes de livros feitas com tijolos e tábuas, caixas- d`´agua ou caixotes de maçã.
Então, com  hóspede em casa, aproveito pra fazer cada dia uma comida diferente, e a fabulosa torta de legumes, por exemplo (massa feita com leite de soja, meia xícara de farinha de trigo integral, uma de farinha de trigo normal, um ovo caipira, um bom naco de aipim cozido e amassadinho e azeite , recheio com legumes da preferência cozidos  e refogados e ricota fresquinha) teve suas sobras processadas e transformadas nesses deliciosos bolinhos assados com o acréscimo de uma azeitona que fez toda a diferença.
O macarrão normal, como todo macarrão que se presa, foi transmutado  em lazanha, com fatias de queijo e  pedaços de presunto e molho de tomate,leite, forma untada ,  tudo misturado, coberto com queijo ralado.
O arroz, excelentes bolinhos. E para ajudar a descer, uma limonada linda adoçada com mel, feita com agrião! Adoro suco de agrião! Já tomou? é bater no liquidificador com água , gelo e açúcar, e com limonada também é ótimo!
Assim, a gente fica rica-rica-rica de marré deci!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ah, não! Aloz di novo!!!

Dizem que chinês tem os olhinhos puxados por causa disso: olha pro prato, coloca as mãos no rosto, o que faz os olhos puxarem e lastima: ah, não! Aloz di novo!
Bem, eu não ia falar nada disso, mas é que é uma coisa tão fabulosa que não posso guardar só pra mim:
Ah! mas antes de contar, aviso para a Chris que a resposta do livro mais bonito do mundo está na última linha desse post, então não leia!
Onde é que eu estava mesmo? Ah,sim, na coisa fabulosa que seria egoísmo guardar só pra mim:
 pão de arroz!!!!
O marido gosta de arroz. E fresco! Feito no dia! claro que às vezes se submete a um requentado, mas por amor, não por preferência. E olha sou boa em requentar arroz! pode ser no microondas; pode ser na máquina de fazer arroz (nessa dá até pra enganar que é fresco! acrescenta-se um tico de água e pronto) e pode ser na panela assim, ó:
 fogo alto. Panela tampada. Quando a tampa da panela ficar quente de verdade, abaixa o fogo e coloca um pouco de água fria (a quantidade depende da quantidade de arroz) e tampa-se a panela deixando um pouquinho aberta. Perfeito!

Bem, mas no dia em que faço pouco arroz o marido acordou com vontade de comer muito arroz. No dia em que faço muito ele decidiu comer só lazanha. Parece que adivinha! Resultado: sobras de arroz! e haja bolinhos e waffles que, em geral, só eu como.
Ah! mas dessa vez TRÊS vasilhas com sobras de arroz. TRÊS!! pesei: 800 g de sobra! E eu tinha feito arroz fresco!
Resolvi transformar em pão.
1-  no liquidificador coloquei UM ovo; meia xícara de queijo parmesão ralado, duas colheres de sopa de azeite, meia xícara de leite desnatado.
Bati .
Depois, aos poucos porque o meu liquidificador é uma porcaria faet, fui colocando o arroz, ah.. que saco, tem que bater um pouco, desligar senão a coisa esquenta, e mexer com a colher pra parte já batida ir pra cima e o arroz pra baixo.. mas consegui. Bati tudo.
2- Dissolvi um sachê de fermento biológico em 2 colheres de açúcar, meio copo de água morna, uma xícara de farinha .. daí a pouco, juntei a gororoba de arroz do liquidificador e misturei com mais farinha.. ah! eu tinha apenas 259 g de farinha! então coloquei maizena também.. ah! eu tinha só meia xícara de maizena! Acho que o ideal seria colocar a mesma quantidade de farinha, algo próximo aos 800 g.
Então a massa não ficou perfeita, ficou pegajosa. Enfiei tudo no ciclo massa da máquina de pão. Que lindo ficou! alto, fofo.
Em tabulheiros untados, fui colocando as mãozadas de massa, ela não afundou como massa de pão afunda. Então, deixei em forno alto por dez minutos, baixei um pouco, levou mais do que meia hora para assar.

QUE DELÍCIA!!!!
Com queijo, manteiga , requeijão, franguinho desfiado, a sardela que a moça que não come carne deixou aqui ficou bárbaro( é com anchova, sardinha, pimentão, e muito suave)
E puro! Um pão macio, perfeito que parece pão mas na hora que se morde é uma surpresa! E imagino que possa ficar mais interessante ainda com orégano na massa, mais queijo, coisas assim.
Aí o chinezinho não vai dizer aborrecido, aloz de novo.. e sim, oba! aloz de novo!

.Chris não leia a resposta!!
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,
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Então, como eu disse, era a nossa cara!
Em cada uma daquelas páginas estava a verdadeira herança e comunicação síntese de cada mulher: uma receita!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Beleza não põe mesa mas serve de sobremesa, entradas...

Ih.. hoje estou com o escrevinhador aberto. Então,  pegue o cafezinho com biscoito e se acomode na cadeira. Se não estiver com tempo ou com vontade,  vá descendo até as fotos da belezuras para saber logo o que é.

Então, quando pequeno, meu sobrinho disse  pra mãe que assistia criticamente a um desfile de modas, falando mal de todas as modelos, que uma tinha o rosto bonito mas  era baixa, a outra era  torta, outra com cabelo estragado e nariguda mas belas pernas..  essas palavras profundas e meigas que temos a delicadeza de proferir em épocas de exercício de desaforo. Ele ouvia e disse: mãe, criança não sabe o que é feio e bonito:  a gente gosta ou não gosta.
Eu , criança também, admirada com os cabelos de uma transeunte gritei: Mãe! olha que cabelo lindo! Que cabelo lindo!
A moça em questão, feliz, vira-se para mim sorrindo. E eu completo:- mas só o cabelo, né mãe?
É um milagre eu ainda estar viva....

A beleza, pra gente, é tão importante que é matéria de Filosofia, sociologia, o escambau. Já foi até identificada como virtude! E falo da beleza visual, não da interior, da radiográfica, ou da auditiva. De boniteza incontestável assim como o Alain Delon ou por do sol. E a gente proverberiza: quem ama o feio, bonito lhe parece. E que espanto é descobrir que a beleza é matéria social e individual! Lembro como hoje: lá estava eu no auge dos meus 6 anos pela mão da mãe no centro da cidade. Em frente ao Teatro Municipal um vendedor de quadros. Em um deles, um por do sol dourado pintado sobre veludo vermelho.
Extasiei-me como quem se defronta com a verdade absoluta!  Mas ouço:
- Não é bonito, não, Angela, é horroroso.
E nada mais me disse a mãe, me deixando com aquela confusão mental , com meu castelo no chão.
Descubro que a moça que não come carne também não come frutas e não come tomate cru. Então, aquele belíssimo bolo de flocos de milho e frutas , já incrementado com passas na massa, foi parar inteiro na minha barriga. Já os tomates, material perfeito para quem constrói rosas em saladas como a Santa inexoralvemente sempre fez, foram para o canto do prato. Mas ela adorou essa novidade: cestinha de batata palha.

Essa cestinha de batata palha é muito fácil e divertida de fazer e ótima combinação para salada. Está espandongada porque não tenho a peneirinha perfeita, usei a peneirinha dessa fritadeira aí do lado, que era ótima até morrer, coisa que aconteceu rapidamente. É o tipo do produto que só presta para quem frita apenas uma vez por mês, não para quem tem criança ou marido que adora batata frita.
Então, basta ralar a batata no ralo grosso, dar uma secada com um pano limpo, forrar uma peneirinha mais jeitosa do que a minha com a batata e mergulhar no óleo quente. A cestinha, para pessoas mais habilidosas, deverá sair linda e intacta! Aí, salpica um pouco de sal  e é  só preencher com sua salada predileta. Combinação maravilhosa! Adoro "crocks e crecks" em comidas! E pode fazer com antecedência, uma de cada vez, pois batata ralada é mais ansiosa do que eu, e se não for logo pro óleo, enrubece, fica triste e escura. Então, rale uma batata média por vez, o suficiente pra forrar a peneirinha.

Acredito que um bom recheio para ela seja vinagrete de abobrinhas  e outras coisitas coloridas. É tão lindo! Gosto tanto que poderia comer todos os dias! A moça que não come carne também adorou!
A arte está em cortar a abobrinha em cubinhos, ferver com vinagre por uns 7 minutos, escorrer. Enquanto isso, corte tabém pimentões coloridos e cebolas coloridas ou não! pode ralar repolho roxo se você  estiver  na fase de comer coisas  roxas. E berinjela ou beringela! Esses  vão ao forno. Depois, misture tudo, tempere com azeite, vinagre balsamico ou nao, limão ou não, acrescente passas, nozes... caramba, é tão bom! E tão lindo! Vejam  a versão roxa e a versão laranja. Na versão laranja, acrescentei cubinhos de frango já refogados


 Um dos meus autores prediletos é o Eric-Emmanuel Schmitt. Apaixonei-me por seu texto quando assisti à peça Freud e o Visitante. Cismei que precisava de ler o texto. Não encontrando à venda, descobri quem produziu a peça, bati a sua porta e consegui uma cópia do roteiro. Com o advento da internet, viva a Amazon! e viva a a Amazon Francesa! comprei todos os seus livros. Quando sou fã sou mesmo. Se ele escrever um bilhete pra faxineira da casa dele eu vou ler! Ah vou.

Este aí ao lado é um livro de contos. A imagem da capa, tão sedutora com essa mulher voadora, pertence ao filme Odette Toulemond( que também tenho,claro, acho que tenho todos os filmes do autor , adoro todos! Ibrahim e as flores do Corão é com Omar Shariff, maravilhoso! amei o filme, nem sabia que era do escritor. Mas comprei o livro, dessa vez em português, uma beleza!)

O conto que dá título ao livro é a nossa cara!!! E eu vou contar pra vocês 63, meus seguidores, ou melhor, pra vocês 3 que   conseguiram chegar até aqui:
Em um campo de concentração na Sibéria, ala feminina, as mulheres tinham direito a uma certa quantidade de cigarros por semana. Mas não fumavam. Mesmo assim aceitavam suas cotas. Tiravam o fumo dos rolinhos, e , delicadamente, abriam os papéis colando cuidadosamente um no outro e formando folhas de papel. A intenção era escrever cartas para seus filhos, maridos assim que tivessem algum portador e lápis. Uma nova detenta chega, e tem os cabelos afro. Não era negra, mas seus cabelos eram. Enormes, crespos. E Lilian , a guardadora das folhas de papel, cisma que escondido naqueles cabelos deve haver um lápis. E havia!
Agora era escrever! O quê? havia regras. Cada uma só teria 3 folhas daquele papiro  delicado. Não poderiam quebrar a ponta do lápis e não poderiam errar. E pensaram, pensaram.. o que escreveriam? Falariam das saudades? Dos motivos da prisão? do amor que tinham pelos seus filhos? Até que uma disse: eu já sei o que escrever!
A mulherada ficou curiosa! Aguardaram ansiosas a escrita. Três dias depois , a moça devolvia o lápis para a cabeleira da colega. Como mais ninguém tinha inspiração,
pediram para ler, ela permitiu:
- Ah! você é um gênio! disse Lilian.
Todas as mulheres, então, copiaram a idéia da colega.
E foi assim que 50 anos depois, a neta de Lilian, mostra para o narrador o Mais bonito livro do mundo!

O que as mulheres escreveram? O que vocês acham?
Só vou dar a resposta no próximo post, assim ficarei sabendo quem é que leu até o final, rá rá!!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Vencendo preconceitos

Coisa feia preconceito, né? Feia e boba. Às vezes má. Mas confesso ter um profundo preconceito em relação a certos alimentos.  Cuscuz, por exemplo. Nunca comi e não tenho vontade de provar.  Tanto o doce de coco com esse nome que vende nas praias de Copacabana  quanto esse de milho que junta tudo num belo bolo. 

Quando criança, também, não entendia porque Cachinhos de Ouro invadia a casa dos ursinhos e bebia TODO mingau. Ah.. Quero mingau não. E nunca comi.   (ainda tenho o livro mas não toca mais música. Meu filho melhor era uma coisa de maravilhoso contando a história, por isso guardei.  Ele dizia lindo: "cachinho de oooulo" ) 

Na realidade é um profundo preconceito: não me agrada  comida branca e mole. Pode ser branca, mas dura, assim como  torrone. Pode ser mole, como um belo pudim de leite condensado. Mas branca e mole é proibido, e não adianta querer me enganar e  colocar canela em cima.
Como toda regra tem exceção, sou a favor de pudim de claras, talvez por conta da calda, e de marshmallows. E chega!

Ultimamente houve uma coincidência em vários  blogs com receitas dessa massinha de maisena doce. Essa sobremesa rápida, de última hora, conhecida entre os chiques como panacota, mas, entre os íntimos da minha existência como  "cumbuca do diabo". Misturavam-se todas as coisas brancas e moles , e depois de cozidas ou assadas, derramava-se por cima uma lata de ameixa em calda.brrr...

Nunca provei. 
Também não gosto dessas gelatinas salgadas que chamam de musse. Preconceito total. Talvez já tenha provado alguma pra não fazer desfeita, e desfeito a coisa no prato. Não lembro.

Vou mudar, claro.Pois deve ser bom.

Por exemplo, desconfio do vegetarianismo que transforma vegetais em bife.  Tão roubando, ora! Assim não vale, não brinco mais! Se é pra comer hamburguer, coma o boi, não de soja. Trapaça total! E só provei uma vez na vida em uma escola adventista. ECA! A borracha do lápis que eu mordia no primário era mais gostosa do que aquele bife! 
Então,  vi  a salsicha vegetal. Pensei: vou comprar pra moça que não come carne.
É congelada.
Provei. Que maravilha!!!!!!!! Bom demais da conta! Ah.. É gostoso demais pra ser saudável. Não acredito na embalagem. 
Mas há um defeito horrível: depois de aberto só dura um dia. O que me dá um certo medinho.  Quanto tempo durará dentro de mim? E só li hoje a embalagem.
Enfim, a coisa é boa, sabor defumado,muito gostoso, sem colesterol.  Pena que foi pro lixo praticamente inteira no dia seguinte. Bem feito. Quem manda nunca saber onde os óculos estão? fui demorar a ler, me ferrei. Se eu soubesse onde os óculos estavam, teria lido as letras miúdas e  tirado para descongelar apenas as que seriam usadas.
Então fiz um bolo de batata perfeito!
Batatas cozidas e espremidas
Meia xícara de queijo parmesão ralado
Meio copo de leite
Duas colheres de manteiga
Uma gema de ovo
Clara em neve.
noz moscada, sal, pimenta. 
Pirex untado e forrado de farinha de rosca.
Como recheio , coloquei para o marido queijo mozarela, para a moça que não come carne, queijo mozarela e salsicha vegetal em rodinhas. Pra mim, só a salsicha.
O pirex quadrado ajudou a organização, coloquei as divisórias salsichórias por cima pra identificar as porções,pois eu e o marido temos paladar e metabolismos muito diferentes, somos que nem a família Sprat do versinho da Mother Goose  só que no inverso:

 Jack Sprat could eat no fat,
His wife could eat no lean;
And so between them both,
They licked the platter clean..

Ele não come beterraba nem pago *, eu adoro. Ele adora gorduras e ovos mexidos bem torradinhos e de granja. Não os tolero, devem ser caipiras e molengas..  Suas torradas na torradeira parecem terem saído de uma mina de carvão, enquanto as minhas são douradas. 
 Então , o jeito é traçar os limites.
 Este é o livro que tenho, e quem quiser ter  também, pois é cheio de rimas comideiras,pode baixar completinho, com ilustrações da Kate pelo projeto Gutemberg




* no início do casamento, eu não sabia que ele não comia beterraba, pior, não pode VER a beterraba na geladeira que já enjoa. Fiz uma salada caprichada pra ele levar pro trabalho, cheia de beterraba ralada crua. Não é que ele comeu tudo? o amor não é lindo? E ele comeu por amor mesmo. Nunca mais comeu de novo, claro, me avisou, e eu escondo  a safra de sua vista. E o prato fica limpinho que nem o casal da rima. E você? não come o quê?