sábado, 25 de agosto de 2012

Dia de fornada!

Funciono em surtos. Hoje foi dia de forno. Há muito tempo esse dia prometia. Assanhava-se na imaginação mas não saía. Ontem fui ao supermercado. Ok, pouco super, mais mercado mesmo. E, por aqui, as opções são poucas. Mesmo assim, voltei com um pacote bem interessante de coisas: geléia de pimenta, geléia de uva, vinagres balsâmicos em combinações variadas, com framboesa e azeite extra virgem, por exemplo. Licor de gengibre e de nozes para um futuro bolo. Farofa baiana, crocante, prontinha para comer( sem pimenta!) . Melado e rapadura. Banana passa sem açúcar e várias frutas secas. Cerejas... Ricota fresca e outros queijos...A imaginação fervia em forma de bolos e grelhados! Então, Portugal venceu de goleada. E eu sozinha no mercado! Até os caixas viam o jogo!

Ás vezes sonho parecido. É um dos meus sonhos prediletos. Estou sozinha na Casa Pedro!Eu e um atendente solícito, mais ninguém. Então, eu abro os potes transparentes e provo as nozes e castanhas. Tento descobrir a diferença entre o sabor da chilena pra nacional. Coloco vários tipos de massas coloridas no carrinho e grãos de toda espécie! Aí, como um naco dos melhores doces do mundo! (por favor, se alguém conhecer algum dos donos da casa Pedro, seduza-o e pegue a receita do doce de gergelim e do de tâmaras!) 

Ah.. mas acordo. A realidade da Casa 
Pedro de Copacabana é bem diferente. 

Odeio Novos Zen! Milhares de pessoas, homens e mulheres de várias classes e formatos se acotovelam enfiando esfihas goelas abaixo. Ah.. esses zens ocidentais são um saco. 

No mundo verde é pior ainda. As gôndolas são cientificamente espalhadas pelas lojas da franquia para só permitirem magros. Zens, vegans, esqueléticos. Odeiam gordos mas estes adoram a loja. Acham que basta comerem dez pastéis integrais antes do almoço que demonstram estarem de dieta. 

Então, entrar no Mundo Verde da N.Sra de Copacabana é como ir ao Mundo Vermelho. Um inferno. O cheiro de incenso no meio dos duendes cafonas misturados a gromeselha e outras substâncias e à tecnologia que garante os pastéis de espinafre quentes e macios após saírem do microondas e do congelador, tudo isso em ar refrigerado.

 E como os novos zen são mal educados! Viraram zen cheios de ódio, pois são estressadíssimos. Aí a ordem médica foi fazer ioga,comer integrais e ouvir ravi shankar. Já viu, né, odeiam! E lá vai bolsada na cara. 

Então, o mercado vazio vira sonho. 


E hoje, eu estava pronta pra fazer um pão de milho com amendoim, receita da Neide Rigo, inventar um bolo de frutas secas já que não tenho a receita da casa Pedro, biscoitos de especiarias quando percebi que o pai estava estressado demais na construção dos aquários e escurraçava
 a pequena, a mãe nervosa, a menina atrapalhava, levava bronca. Nâo! Não agiam assim por desamor, longe disso! Impaciência sim. Mas não por ignorância, pois conheço , infelizmente, muitos pais riquinhos que não sabem lidar com esses seres de 3 anos de idade. Uma pena . Aí, as crianças, que não são burras, acredito (elas se tornam burras com o tempo, não o são) aproveitam a confusão e fazem birra e exigem e conseguem ver até onde conseguem chegar.

 Convidei-a para fazer um pão comigo. Ih! Os olhos dela brilharam! Afinal, a casa da Tia tem bonecas, tem livros que pulam, e , quando não tem, a Tia desenha histórias e faz casinhas de papelão. Mais que tudo, dá atenção.

 O pai estava na dúvida se deixava ou não. Tinha medo que a menina quebrasse algo e eu reclamasse e ele não sabia o que fazer. Explicou o medo. Entendi e afirmei que não faria queixa alguma. Então, aqueles olhos grandes e brilhantes maiores ficaram e sua mãozinha enfiou-se na minha. Ah! Aquela mãozinha macia, dedos finos, cabia inteira, esticada, na palma da minha mão! Que saudade de meus filhos!

E ela ia saltitante em seus pés descalços com unhas pintad
as parcialmente de esmalte preto perguntado coisas:”- Tia.. eu vou ajudar a fazer pão? Tia.. papai..hompengolohaf.. Tia.. pkonaojrs  “ Sua voz se elevava e desafinava no final da pergunta e eu não entendia nada. Só o Tia que subia vibrante e nítido. 

Lavei seus pés no tanque. Elevá-la foi mais simples que pegar um livro. Leve, delicada, totalmente diferente dos meus filhos, que eram robustos 
e pesados. Ela é toda assim, cabelos finos como fios de algodão, pele macia, magrinha mas sem ossos aparentes. E não para de falar. 

Do tanque para o banco e a explicação do pão. Fui colocando os ingredientes na bacia e explicando enquanto ela os mexia com a colher de pau. Delicada e interessadamente. Claro que , como sempre, mudei a receita. Usei amen
doim já torrado, que a menina comeu e gostou, e sempre uso uma colher de chá e meia de fermento, não uso um quilo de farinha nem tanta água. Mesmo assim, rende 4 excelentes pães. 

Separei um pouco da massa para ela sovar. Ela me imitava. Quand
o peguei sua massa, estava quente! Sua mãozinha é boa pra massa de pão! 

Massas cobertas, e vamos ver a boneca de papel. Ela quis da Cinderela. Imprimi para ela a boneca (viva a internet!) e coloquei o disquinho Gata Borralheira da infância para ela ouvir.


E um café fresco completou a delícia.  Nos despedimos, era hora de almoço, voltei para a farinha. Hora do biscoito de espec
iarias! Na ausência de cardomono, erva doce. E ah! Errei! Esqueci que era farinha integral, então fiz com farinha comum. 

De raiva, inventei um salgado, do mesmo jeito, com farinha integral, só que com outras especiarias. Uma colher só de açúcar mascavo, uma de sal, e um pouquinho de tudo:orégano,mistura provence, mistura indiana e páprica picante. Um tico de cada. Rolinhos feitos e enfiados no congelador, que eu não combino com coisa de um dia pro outro. 

E o bolo
! Esse inventei.
Primeiro piquei nozes,castanhas,amêndoas,ameixa preta macia,damasco macio,passas brancas azedinhas, passas pretas,tâmaras. Enfarinhei tudo para que se distribuíssem bem na forma.
Acendi o forno, untei e enfarinhei a forma, salpiquei nela açúcar mascavo.
Na batedeira: um ovo caipira,meia xícara de óleo,uma colher de fermen
to,meia xícara de leite desnatado,uma boa colher de açúcar mascavo. Uma xícara de farinha integral. Uma banana d’água amassada  com canela.Uma colher de aveia e uma de farinha comum. Bem batido! Aí foi misturar as frutas e nozes.. hum............
E lá foi o bolo pro forno. Quando o timer deu meia hora, ele saiu e entrara
m os biscoitos. E o timer deu 20 minutos. Eles saíram e já era a vez do pão entrar.
E a casa era aromas! A felicidade já estava em mim antecipando! E .. hum.. ahmm oh! Um pouquinho só de cada!
P.S. enquanto subo essa escrita, saboreio o pão de amendoim com ricota fresca.. uau! perfeito!

3 comentários:

Leticia Cinto disse...

Muito legal a história da menina! Fiquei com vontade de fazer pão tb :) E a história dos "zens estressados" é totalmente verdadeira! Aqui em SP é exatamente assim! Bjs e ótimo domingo para vc!

desiveloso disse...

Aqui temos o Mercado Municipal, chegou a ir lá? Depende do dia e da hora é como no teu sonho...só a gente e os atendentes...mas em outros dias e horários é o próprio inferno!
As vezes também faço pão com meus pequenos, e biscoito também, fiquei com vontade, já faz tempo que não "brinco" assim...Parece que senti o cheiro gostoso das coisas que você faz...

Léia disse...

Oi Angela, você discreveu minha filha quando era pequenina.Hoje está por completar 12 anos.Era pequenina, tagarela e magrinha sem mostrar os ossos.Sempre muito animada.Adorei sua história me fez voltar no tempo.Beijos e tudo de bom querida.